A arqueologia é a ciência da vida.Esta afirmação parecerá paradoxal somente para aqueles que ignoram a alegria de ver sair da terra ruínas carregadas de um segredo prodigioso.

Estes consideram o arqueólogo como um estudioso unicamente preocupado com as coisas da morte,escavando despojos de templos e casas,abrindo tumbas,desenrolando bandagens de múmia e classificando tesouros funerários.

A verdade é que,seguidamente,as precauções tomadas pelo Homem para preservar seu cadáver e assegurar-se no além de uma vida bastante parecida á sua vida terrestre permitiram,na maior parte dos casos,conhecer-se,exatamente,os hábitos e as idéias dos povos desaparecidos

São as necrópoles que,geralmente,conservam as formas e as imagens da vida,seja pelo fato de que o respeito ligado à morte tenha defendido os sepulcros contra as devastações que aniquilavam as moradas dos vivos,seja pelo segredo com o qual a tumba era preparada,nas câmaras rochosas ou sob espessas camadas de terreno,asseguravam-nas uma impunidade que as cidades mais poderosas e os templos mais venerados não possuíram jamais.

J.J.Bachofen mostrou numa obra imortal o quanto a técnica e o simbolismo funerário desempenharam um papel considerável na história da civilização.

Alguns povos,com efeito,que demonstraram nas suas construções terrestres uma extrema fragilidade,cercavam suas moradas póstumas de todas as precauções materiais ou mágicas que deviam assegurar o repouso pacífico do morto

A maior parte dos nossos conhecimentos arqueológicos atuais vem do que as tumbas nos ensinaram.

O costume que,durante milênios,quis que enterrássemos o cadáver com seus objetos usuais,nos revelou,na remota antiguidade mais da pré-história,os instrumentos de sílex,os colares de dentes e de conchas,os pingentes de osso e os "bastões de comando"

Até em plena Idade Média esta tradição se perpetuou em alguns recantos da Europa e as tumbas vikings,como aquelas de Gostad,de Oseberg,mostraram as redes e os tronos de madeira esculpida,amontoados no barco do navegador,barco familiar,companheiro das audaciosas viagens,que se tornava a última morada do marinheiro,e sobre o qual colocava-se o enorme túmulo de pedras e de terra

As tumbas mexicanas do Monte Alban,com suas fabulosas jóias,permitiram perceber um aspecto imprevisto da sociedade americana pré-columbiana,e é desnecessário lembrar aqui a descoberta por Carter e Carnavon da tumba de Tutankamon,com seu mobiliário funerário intacto,uma das mais raras tumbas egípcias que não foram pilhadas

As civilizações da Asía central começaram a ser conhecidas graças ao exame das sepulturas e a descoberta que o coronel Kozlov fez em 1925,de um conjunto de túmulos nos arredores de Urga,é tão estimulante para a imaginação dos leigos quanto instrutiva para os estudiosos

Nos túmulos de Noin-Ula,com efeito,acumulava-se a mais extraordinária mistura de tesouros

Objetos chineses,ourivesarias citas,jóias iranianas,vasos onde todo o delicado refinamento da civilização grega estava expresso conviviam com singulares tecidos bordados que,apesar de uma estadia de dois mil anos nesta tumba,não haviam perdido nada de seu frescor

Havia ali,especialmente,bordados em feltro,que são muito difíceis de identificar,porque contêm de um lado a arte das estepes,e,de outro,a arte chinesa,não sem alguns traços sumérios e que mostram fantásticas figuras de animais e de monstros

Os túmulos do Altai,que foram visitados por uma missão russa em 1929 na região do Altai,imediatamente evocaram aos olhos dos arqueólogos surpresos o espírito dos mitos antigos e das velhas epopéias

A tumba era formada por uma sala central que circundava uma espécie de vestíbulo

Esta sala central onde repousavam os despojos do Chefe,um destes reis nômades,que arrastavam,como Átila ou Gengis Khan,populações imensas em suas migrações guerreiras,tinha sido pilhada

Só podemos imaginar o esplendor dos tesouros que foram tomados pelos ladrões mas,felizmente,o vestíbulo estava intacto,porque,satisfeitos com seu saque,sem dúvida eles negligenciaram os objetos de menor valor

Havia ali dez cadáveres de cavalos,equipados ainda com suas celas e seus arreios

Bridões de couro com aplicações em ouro ornavam os esqueletos,máscaras de ouro estavam colocadas nos crânios descarnados dos corcéis

Essas máscaras transformavam os cavalos em animais fantásticos,que possuíam algo do grifo e da rena,com asas de ouro que os tornavam pégasos inacreditáveis

A qual tradição pertence este estranho disfarce?Quem o dirá?

Nada nas descobertas anteriores,nem nos textos,permite interpretar este costume singular,e é mesmo impossível precisar a que raça pertencia o ocupante desta tumba

No máximo podemos datá-la do começo da era cristã

Aqui,a descoberta arqueológica coloca uma questão e não a resolve

Mas por outro lado,tudo o que sabemos de alguns povos vem do que suas sepulturas nos ensinaram.


 

 

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