Na tumba de um governador de el-Kab, chamado Sobeknakht, foi encontrada, em maio de 2003, uma inscrição da maior relevância.

Ela faz referência a uma batalha, que ainda era desconhecida pelos arqueólogos, travada entre os egípcios e o Reino de Kush.

O túmulo, cavado na rocha, do qual vemos ao lado uma cena funerária, situa-se em el-Kab, localidade ao sul do Egito entre Esna e Edfu, que foi importante capital de província durante o último período da XVII dinastia que durou, toda ela, aproximadamente, entre 1640 e 1550 a.C.

Embora os pesquisadores já soubessem que a relação entre os dois países não era das melhores, essa foi a primeira vez que se encontrou uma prova de que o Egito foi invadido pelo país de Kush, o qual se situava ao sul da atual Núbia ou no Sudão central.

A inscrição descreve uma feroz invasão do Egito pelos exércitos de Kush e de seus aliados do sul, incluindo-se entre eles o país de Punt, da costa meridional do Mar Vermelho.

Inscritos entre a primeira sala e a câmara funerária do túmulo de Sobeknakht, os hieróglifos narram como o governador tentou defender heroicamente seu país dessa enorme invasão que conturbou toda a região, como preparou um poderoso exército e a maneira pela qual perseguiu os inimigos até o sudoeste da região.

Foi lá que se travou a grande batalha da qual o egípcio saiu vitorioso.

Quando retornou ao Egito, uma grande celebração teve lugar, na presença do faraó, cujo nome não é citado.


Essa informação demonstra que não foram apenas os hicsos, vindos do norte, os grandes inimigos dos egípcios naquele período.

Mostra também que o Egito era um país suficientemente forte para ter sucesso na manutenção de sua independência e pouco tempo depois veio a inaugurar a grande era imperial conhecida como Império Novo (c. 1550 a 1070 a.C.).

Os kushitas não estavam interessados em ocupação. Eles buscavam objetos preciosos, símbolos de dominação e causaram muito dano, pois um vasto território foi afetado.

Foi surpresa para os arqueólogos saber que o Egito foi invadido a partir do sul, fato que até então se desconhecia.

O túmulo de Sobeknakht também é importante por se encontrar bem preservado, fato raro entre as tumbas daquela época.

Além de existirem poucos monumentos daquele período conturbado da história egípcia, nenhuma inscrição similar àquela foi encontrada até hoje em túmulos privados.

Convém reforçar que a novidade aqui foi a leitura do novo texto, pois a tumba em si já havia sido descoberta no início do século XIX da nossa era e, aparentemente, não fora escavada suficientemente.

Ela estava muito suja e sua decoração não podia ser vista direito e foi o trabalho de limpeza e conservação que revelou o teor das inscrições.

Inicialmente os arqueólogos não conseguiram definir bem do que se tratava.

Eram 22 linhas de hieróglifos em vermelho e eles presumiram que seriam textos religiosos, principalmente porque foram achados perto da câmara funerária.

Com o avanço dos trabalhos percebeu-se tratar-se da biografia de Sobeknakht narrando o ataque dos kushitas ao Egito e o bem sucedido contra-ataque que os expulsou.

O texto não esquece de enaltecer a divina interferência de Nekhbet, a deusa abutre protetora do Alto Egito, que queimou os inimigos com sua poderosa chama.

Essa descoberta explica porque tesouros egípcios, tais como estátuas, estelas e um elegante vaso de alabastro, foram encontrados nos túmulos reais em Kush: eram troféus de guerra.

Não estava muito claro para os arqueólogos, até então, porque tais objetos haviam sido encontrados fora do Egito.

Agora eles entenderam que se tratava de troféus da pilhagem, símbolos dos reis inimigos de seu poderio sobre o Egito.

O vaso de alabastro apresenta um texto funerário para o espírito do governador Sobeknakht, ficando claro que foi roubado pelas forças inimigas de sua tumba, ou da oficina onde estava guardado, e enterrado no túmulo do rei kushita que deve ter comandado a invasão.

No túmulo de Sobeknakht, além das inscrições, existem representações do governador com a esposa e com os filhos.

Vários macacos, alguns em poses eróticas simbólicas, estão gravados nas paredes da tumba.

Uma cena particularmente curiosa mostra macacos postados sobre as mesas de oferendas comendo a comida do defunto, indicando um grande senso de humor do artista que a criou.



 

 

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