Nasceu no dia 29 de agosto de 1831 na antiga freguesia do Riacho do Sangue (hoje Jaguaterama), no Estado do Ceará com o nome de Adolpho Bezerra de Menezes Cavalcanti. Filho de tradicional família de políticos do Sul, criado pôr seus pais, Antônio Bezerra de Menezes, tenente-coronel da Guarda Nacional, e de Fabiana de Jesus Maria Bezerra, dentro dos princípios religiosos do catolicismo e disciplina militar, tendo o dever e a honra como norma a seguir. Compunha com mais três irmãos mais velhos, o quadro familiar.

Desde muito pequeno revelou-se um espírito amadurecido, determinado, capaz de assumir atitudes e comportamentos que resultassem em benefício do próximo: aos seis anos quando algumas crianças ainda se preparam para as lides escolares, ele já sabia ler; escrever e fazer contas, entrando para a Escola Pública de Vila do Frade com sete anos. Aos 11 anos, em virtude da transferência de sua família para o Rio Grande do Norte, matriculou-se na aula pública de latinidade que funcionava na Serra do Martins, dirigida por jesuítas. Após dois anos dedicados ao estudo do latim, já possuía condições de ministrar estes conhecimentos, vindo a substituir o professor. Em 1846, a família novamente retorna para seu Estado natal, o Ceará, freqüentou o Liceu da capital, sendo considerado o melhor aluno. Até 1851, vivenciou todo um movimento de transformação do Brasil para as idéias que culminaram com a República, em 1889.

Seu pai, o capitão das antigas milícias, era profundamente liberal, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em fazendas de criação. Isso o colocou na mira dos Monarquistas que, em determinado instante, levou a um exílio nas regiões do atual Rio Grande do Norte, o que o levou a contrair muitas dividas. Juntando com o do seu bom coração, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar-lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, porém, que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida. Os credores, todos seus amigos leais, recusaram a proposta, dizendo-lhe que pagasse como e quando quisesse.

O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar-se mero administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações.

Apesar da sua situação precária, o Sr. Antônio, conseguiu formar em Direito os dois filhos mais velhos, enquanto que o terceiro, que cursava o segundo ano da Faculdade de Direito de Olinda, foi forçado a interromper seus estudos.

O pai, sabendo que o sonho do filho era ser médico, chamou-o, abrindo-se com ele, informando-o da resolução que havia tomado, única compatível, disse, com a sua honra, e concluiu por lhe declarar que, embora tivesse de fato com que mantê-lo no curso superior, sua consciência não lhe permitia fazê-lo, porque tudo o que tinha em seu nome era um verdadeiro empréstimo, deposito sagrado.

Animado do firme propósito de orientar-se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia de quatrocentos mil réis que seus parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos os óbices, partiu em 15 de fevereiro de 1851 para o Rio de Janeiro, o mesmo ano da morte de seu pai.

Aqui aportou, dispondo apenas de dezoito mil réis, importância essa que mal lhe daria para se manter por alguns dias. Em compensação, porém, possuía um patrimônio que muito lhe valeu na vida: o de coragem e o da força indômita para a luta.

Seu curso pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro transcorreu sob os auspícios da dificuldade e da pobreza, da luta pelo dia-a-dia ingressando em novembro do ano seguinte, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Estudou em Bibliotecas Públicas e ministrou aulas de Filosofia e Matemática, para custear seus estudos.

Doutorou-se em 1856, obtendo em todos os anos do curso a nota, "optima cum laude", defendendo a tese: "Diagnóstico do cancro". Até esta época ainda usava seu nome completo, que abreviaria mais tarde e modificaria de Meneses com “S” para Menezes com “Z”. Candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento". O parecer foi lido pelo relator designado, Acadêmico José Pereira Rego à 11 de maio de 1857, tendo a eleição se efetuado à 18 de maio do mesmo ano e a posse à 01 de Junho, em sessão solene, na Academia Imperial de Medicina, como membro titular. No ano seguinte concorria a uma vaga de professor substituto da Secção de Cirurgia, na Faculdade de Medicina.

Viu-se em pouco rodeado de numerosa clientela, senhor de uma clínica invejável. Mas os colegas da época, com certeza, não lhe invejavam o sucesso. É que essa imensa clientela não rendia coisa alguma... Ninguém pagava; tudo era gente pobre, absolutamente pobre. E Bezerra de Menezes nunca falou em dinheiro a pessoa alguma. A figura do Apóstolo já começava a se esboçar, delineando os seus contornos interiores.

No ano em que Bezerra de Menezes conquistou o seu diploma, o governo imperial decretou a reforma do Corpo de Saúde do Exército e nomeou para chefiá-lo o velho mestre, Dr. Manoel Feliciano Pereira Carvalho, como Cirurgião-Mor. É fácil imaginar-se a satisfação com que este convidou o discípulo para seu assistente... E foi assim que Bezerra de Menezes passou a ser Cirurgião-Tenente do Exército, cujos vencimentos lhe permitiam manter seu consultório, mas sua nomeação só foi feita em 1858.

As glórias do cirurgião não foram bastante para abafar os desígnios do altruísta. A espécie da clientela era sempre a mesma: pobre, paupérrima, miserável... Pela primeira vez, Bezerra de Menezes viu seu nome alongado, com o complemento de "médico dos pobres".

Bezerra de Menezes resolveu casar-se. E casou por amor, com D. Maria Cândida de Lacerda, no dia 06 de novembro de 1858. Desejosa de ver a ascensão gloriosa do marido, tratou de o convencer a ingressar nas lides políticas e Bezerra de Menezes acedeu, como sempre.

Foi no período de 1859-61, redator dos ”Anais Brasilienses de Medicina” da Academia.

 

 

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