Os poeni, nome dado pelos Romanos aos povos que habitavam a região onde hoje fica a Tunísia, deram origem à civilização púnica que, centralizada na cidade de Cartago, alcançaria grande desenvolvimento comercial no norte da África, no sul da península ibérica e nas ilhas mediterrâneas de Ibiza, Córsega, Sardenha e Sicília. A expressão fenícia Qart Hadasht, "cidade nova", gerou, ao latinizar-se, a denominação de Cartago, colônia fundada por comerciantes fenícios, no século IX a.C., numa região ao norte da África, de fundamental importância estratégica. A florescente civilização cartaginesa chegou a desafiar o poder de Roma, o que causou seu desaparecimento. Entre as diversas lendas sobre a fundação de Cartago, a mais difundida é a narrada na Eneida, segundo a qual a colônia foi fundada por Dido, irmã do rei fenício de Tiro, Pigmalião, de cuja ambição ela foi obrigada a fugir, abrigando-se em terras africanas. Critérios históricos mais precisos estabelecem que os Fenícios, em sua expansão, procuraram lugares apropriados para se dedicarem ao comércio, tendo encontrado na costa africana uma das melhores localizações. Embora já fosse comum no Mediterrâneo ocidental a presença dos fenícios, a cultura desse povo conheceu, com Cartago, um dos mais esplendorosos momentos de sua história. No início, a colônia dependia de Tiro, a principal cidade fenícia; mas, depois da dominação desta pelos assírios, a civilização cartaginesa sobreviveu por si mesma e conseguiu situar-se à frente das demais colônias fenícias, até constituir um império. A dinastia dos magônidas impulsionou o crescimento de Cartago, que fundou novas colônias, como Ibiza, no século VII a.C., e estendeu sua influência até a Sicília, a Sardenha e todo o litoral do Mediterrâneo. A partir desse momento, Cartago inaugurou uma política comercial que impunha ao resto das cidades fenícias o papel de meras feitorias. Nos séculos VI e V a.C., os cartagineses mantiveram sua preponderância econômica, que se viu prejudicada pela presença de comerciantes gregos na ilha da Sicília. A rivalidade pelo domínio das rotas marítimas entre Cartago e as cidades da chamada Magna Grécia, que agrupava as colônias gregas do sul da Itália, gerou conflitos freqüentes. Por volta de 480 a.C., a aliança das cidades gregas de Siracusa e Agrigento derrotou um exército púnico comandado pelo general Amílcar Barca na batalha de Hímera. Os confrontos com os gregos da Sicília se sucederam durante anos. Cidades como Gela, Siracusa ou Camarina sofreram constantes ataques dos cartagineses, preocupados em salvaguardar seu império.

Cartago não desistiu até conseguir dominar a ilha, de grande importância para a sua economia. A partir da segunda metade do século V a.C., a civilização púnica, que durante séculos se havia baseado no predomínio marítimo, iniciou um movimento de expansão para o interior das terras onde exercia seu poder. Os povos da Sardenha, da península ibérica e do norte da África viram penetrar o exército cartaginês, obrigado pelas contínuas campanhas e pelas necessidades defensivas a estabelecer bases continentais em que pudesse obter soldados mercenários. Assim, celtiberos, líbios, númidas e mauritanos passaram a integrar seu núcleo militar. O grande império púnico, cuja força residia no domínio comercial, se viu defrontado com o crescente poder da civilização romana. O antagonismo entre os dois povos originou as três guerras púnicas, a primeira das quais (164-241 a.C.) nasceu do conflito entre as cidades sicilianas de Messina, apoiada por Cartago, e Siracusa em 264 a.C. A segunda guerra púnica (218-201 a.C.) se originou nas campanhas de conquista realizadas por Aníbal em território ibérico. A terceira guerra púnica (149-146 a.C.) foi precipitada pelos ataques de Massinissa, chefe númida, e Cartago sucumbiu depois de um terrível assédio de três anos. Quando os soldados romanos entraram na cidade, destruíram cada rua e cada casa. A posição estratégica de Cartago levou os romanos a construírem no local, em 35 a.C., uma nova cidade, submetida mais tarde ao domínio Bizantino. Quando, em 696, os árabes se apoderaram da região, encontraram apenas ruínas. Os cartagineses se dedicaram principalmente à vida comercial. Exploraram de modo racional e exaustivo todas as rotas mercantis mediterrâneas abertas pelos fenícios, assim como suas colônias. Cartago era uma cidade-estado edificada sobre uma península e dispunha de vários portos aparelhados tanto para a comunicação quanto para a defesa. O estado apoiou e desenvolveu a iniciativa mercantil sem sobrecarregar com impostos as transações comerciais privadas. Mas todos os barcos que atracavam em portos de domínio cartaginês tinham que pagar elevados tributos à metrópole. As colônias do Mediterrâneo registraram a presença de comerciantes cartagineses dedicados à compra e à venda de vinho, azeite de oliva, jóias e perfumes. A sociedade era dominada pela aristocracia, que ocupava os altos cargos militares e também controlava a vida econômica. No começo o governo era encabeçado por um rei, mais tarde substituído por dois sufetas (supremos magistrados). Os problemas políticos eram debatidos no Senado, cujos membros procediam da nobreza. No século V a.C., seu poder reduziu-se e foi criada outra instituição paralela, que partilhava as funções legislativas, o Tribunal dos Cento e Quatro. A religião cartaginesa, originada em grande parte da fenícia, se fundamentava no medo e na submissão a deuses cruéis e terríveis. Professava-se o culto a Baal-Hamon, senhor dos altares; a Tanit, ligada à fertilidade e à Lua; e a outras divindades fenícias, como Melqart. Os deuses não tinham representação física e eram concebidos como símbolos abstratos de significado misterioso.

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