Os povos que na antiguidade habitaram o território da Grécia construíram a primeira civilização duradoura da Europa, berço de toda a cultura ocidental moderna.
Os gregos criaram obras artísticas, literárias, filosóficas e científicas de importância jamais superada, embora nunca tenham sido capazes de alcançar a unificação política.
A Grécia antiga abrange o conjunto das civilizações que se desenvolveram nas regiões situadas na bacia do mar Egeu, sobretudo nas partes central e sul da Grécia continental e no litoral oeste da Anatólia. Compreende desde a civilização minóica (ou minoana), que floresceu em Creta na idade do bronze e foi depois absorvida pela cultura micênica do continente, até a da Grécia transformada em província romana, no ano 146 a.C.
O nome Grécia e o etnônimo grego, aplicados ao país e ao povo, foram empregados inicialmente apenas pelos romanos, que estenderam a toda a região o nome da primeira tribo que encontraram no continente. Os gregos do período clássico chamavam a si mesmos helenos e, a seu país, Hélade. Referiam-se assim aos habitantes da península grega, para distingui-los dos bárbaros, nome que davam aos povos que não tinham o grego como língua materna. Originalmente, Hélade era um topônimo de significado restrito, aplicado a um pequeno território ao sul da Tessália.
A extensão do termo a toda a Grécia continental, e o emprego do nome heleno para designar o cidadão de qualquer pólis (cidade-estado grega), mesmo das mais distantes, data do final do século VII a.C., quando os santuários de Deméter, em Antela, e de Apolo, em Delfos, se transformaram em centros religiosos procurados por todos os gregos. Formou-se a partir daí uma liga de cidades gregas para administrar os templos e organizar os festivais, que reuniam cidadãos de todas as partes da Hélade e muito contribuíram para a unidade política e cultural desses territórios.
Idade do bronze. Os séculos decorridos entre o início da idade do bronze, por volta do terceiro milênio a.C., até o fim do período micênico, por volta do ano 1100 a.C., são denominados período heládico. Durante essa fase, a população local, constituída inicialmente de pacíficos criadores e agricultores, transformou-se em povo guerreiro. A economia baseava-se no comércio marítimo com as ilhas e com os povos da costa leste do Mediterrâneo. Os chefes guerreiros dedicavam-se à guerra e à busca da fama e beneficiavam-se tanto do comércio quanto das terras de agricultura e pecuária, trabalhadas pelos servos.
Essa transformação transcorreu lentamente. No ano 2600 a.C. houve uma invasão de povos oriundos da Anatólia que sabiam trabalhar o ferro e aperfeiçoaram as técnicas de agricultura e navegação. Cerca de seis séculos depois, tribos indo-européias invadiram a península pelo norte e destruíram a sociedade existente. Falavam uma língua indo-européia, pertenciam a uma outra raça e distinguiam-se pela forma dos túmulos de seus reis. Absorveram as práticas dos habitantes anteriores, mas passaram a viver em complexos fortificados. Um sistema de rampas e escadas levava da porta da cidade ao salão onde ardia o fogo sagrado. Esse projeto tornou-se mais tarde a planta do templo grego.
Por volta do ano 1600 a.C., a fusão entre grupos do continente e a civilização minóica de Creta levou ao surgimento da cultura micênica, nome derivado da cidade de Micenas, no continente. A civilização minóica, a mais característica de toda a região do Egeu, notabilizara-se por suas cidades populosas, com grandes edifícios e residências luxuosas; pelo agudo senso comercial; pelas conquistas artísticas, que incluíam a escrita; e pela forma de governo, que concentrava o poder político nas mãos de um rei, encarregado de administrar as riquezas do país.


Civilização micênica. A monarquia minóica acabou por submeter-se ao poder militar micênico, mas a cidade de Micenas valorizou a arte minóica de tal forma que acabou por importar seus artistas, cujas influências se manifestam nos temas ornamentais que adornam sua cerâmica, nas representações pictóricas e na ourivesaria. A sociedade micênica era guerreira, como demonstram seu conhecimento dos carros puxados por cavalos, suas extraordinárias fortificações, os palácios construídos em torno de um mégaro (salão central) e as armas e armaduras encontradas nas tumbas escavadas.
Diante da pressão dos dórios, povo procedente do norte que migrou para a Grécia no início do século XII a.C., a civilização micênica sucumbiu. Os dórios eram um povo guerreiro, que usava armas de ferro e cultuava deuses masculinos, mais freqüentemente do que femininos. Destruíram os palácios micênicos e escravizaram todos que não conseguiram fugir a tempo para Atenas, para as ilhas ou para a Anatólia. Sua forma de vida era tão rude que os 300 anos de seu domínio ficaram conhecidos como idade das trevas -- ou como período geométrico, em alusão à simplicidade de sua cerâmica.
À medida que a Grécia se recuperava dos efeitos da invasão, o povo grego foi desenvolvendo uma língua e uma religião em comum com os dórios, e as populações tornaram-se semelhantes. Todos cultuavam uma família de deuses chamados olímpicos, que habitariam palácios no monte Olimpo. O culto compreendia a realização de festivais, disputas atléticas entre as cidades e cerimônias dedicadas ao deus protetor de cada cidade. A mais conhecida dessas celebrações eram os Jogos Olímpicos, realizados a cada quatro anos em Olímpia, em honra a Zeus e Hera. Os jogos começaram a ser disputados em 776 a.C., primeira data registrada da história da Grécia antiga. A partir de então, os gregos passaram a datar os acontecimentos fazendo referência ao ano olímpico.
Período arcaico. O terror das invasões dórias resultou na formação de cidades-estados, as pequenas nações gregas, surgidas à medida que os habitantes dos vilarejos dispersos buscavam proteção nas proximidades das fortificações micenianas. Em 800 a.C. aproximadamente, as cidades passaram a seguir um mesmo padrão urbanístico: uma fortaleza (acrópole) cercada de muros altos abrigava os templos e podia acomodar a população e os moradores dos povoados próximos quando a cidade fosse sitiada. Abaixo dela ficavam o mercado (ágora) e os quarteirões residenciais. As cidades-estados tinham governo próprio, limites definidos e mantinham entre si relações diplomáticas. A história política da Grécia antiga é, em grande medida, a história das cinco maiores cidades-estados -- Atenas, Esparta, Tebas, Corinto e Argos.
O período arcaico se estende de meados do século VIII até o início do século V a.C. Pressionada pelo crescimento demográfico na Grécia continental, a população fundou várias colônias, da Anatólia e do mar Negro à França, Espanha e norte da África. Os oriundos de Atenas fundaram as primeiras colônias na Anatólia, ajudados pela Lídia. As cidades jônicas originaram-se do comércio no mar Negro. Os habitantes das novas cidades da Ásia ou das margens do Mediterrâneo consideravam-se gregos e mantinham laços com suas cidades de origem. No final do século VII a.C., a cunhagem de moedas, que os gregos jônicos aprenderam com os lídios, revolucionou o comércio.
O que hoje se entende como literatura e filosofia gregas nasceu nas cidades jônicas, onde também surgiu o alfabeto grego. Um importante elemento de aglutinação cultural dessas cidades foram os poemas homéricos Ilíada e Odisséia, baseados na guerra de Tróia e nas viagens do herói Ulisses. Os gregos consideravam a poetisa Safo, da ilha de Lesbos, o maior nome da poesia lírica e Tales de Mileto o primeiro grande filósofo grego. Foi também nesse período, na Beócia, no continente, que floresceu Hesíodo.
Período clássico. O século V a.C., início do período clássico, foi a um só tempo infausto e glorioso para a Grécia continental. Os persas invadiram por duas vezes o território grego, de forma devastadora. Mas foi também um século de triunfos, que correspondeu ao ápice da cultura grega. As guerras greco-pérsicas, iniciadas em 499 a.C., fizeram com que Atenas e Esparta, as duas cidades hegemônicas, superassem divergências e se aliassem contra o inimigo comum. Os persas esmagaram a revolta, e Dario I o Grande resolveu punir Atenas.
Em 490 a.C. Dario lançou uma força invasora, mas o exército ateniense rechaçou o ataque, na batalha de Maratona. A vitória foi importante por duas razões: mostrou as perdas que os hoplitas (soldados de infantaria com armadura pesada ou fortemente armados) gregos foram capazes de impor aos persas e pôde ser usada para fins de propaganda.
A segunda guerra greco-pérsica, dirigida por Xerxes, filho e sucessor de Dario I, teve início com a expedição punitiva realizada dez anos depois, quando os persas derrotaram os gregos no desfiladeiro das Termópilas e incendiaram a Acrópole. Mesmo assim, Temístocles, comandante da frota ateniense, destruiu com as trirremes gregas -- naus dotadas de três pavimentos de remos e vela redonda -- a frota persa, em Salamina. Sem o apoio naval, o exército persa foi finalmente dizimado na batalha de Platéia, em 479 a.C., por uma confederação de cidades gregas. A vitória deveu-se principalmente ao amor à liberdade dos gregos, que defenderam desesperadamente sua independência, ameaçada por um inimigo mais poderoso.
A essa altura, Atenas e Esparta, as principais cidades-estados, exibiam acentuados contrastes, tanto na forma de governo quanto em cultura. De acordo com a tradição instituída por seu legislador, Licurgo, Esparta adotara um regime autoritário e militarista, em que os homens eram preparados para a guerra e as mulheres para gerar bravos guerreiros. Atenas vivia em regime democrático, graças à constituição legada por Sólon, que permitiu uma participação cada vez maior dos cidadãos, ricos ou pobres, na elaboração das leis. Atenas prosperou principalmente durante o governo de Péricles, de 460 a 429 a.C., e se transformou na capital política, econômica e cultural do mundo grego. A democracia de Péricles despojou a aristocracia da maioria dos poderes e privilégios; o conselho dos 500 resolvia todos os assuntos do estado e controlava o executivo, e a vontade popular se expressava na assembléia. Péricles se dedicou à consolidação do poder ateniense, mas não conseguiu a unificação pan-helênica, que tanto almejara.
Em 477 a.C. Atenas firmara com as cidades jônicas uma aliança, a liga de Delos, para protegê-las dos persas. No início, as cidades que faziam parte da liga mantiveram sua autonomia, mas Atenas desde o primeiro momento assumiu a direção militar e a administração dos recursos que os aliados haviam depositado no templo de Apolo, em Delos. Ao afastar-se o perigo persa, a hegemonia ateniense começou a ser discutida por algumas cidades, como Naxos e Tasos, que tentaram sem êxito abandonar a liga; pelas cidades independentes, como Corinto, que se sentiam ameaçadas; e pelas que faziam parte da liga do Peloponeso, à frente das quais estava Esparta.
Guerra do Peloponeso. Os choques entre Atenas e outras cidades se tornaram cada vez mais freqüentes. A intervenção ateniense no conflito entre Corinto e Corcira (atual Corfu) provocou, a pedido de Corinto, a reunião da liga do Peloponeso, cujos membros decidiram declarar guerra a Atenas. Os atenienses nada fizeram para evitá-la, confiantes nas vultosas reservas de ouro, suficientes para financiar um longo conflito, e na frota de navios, imensamente superior à dos peloponesos. Mas o exército espartano era mais numeroso e estava melhor preparado que o ateniense. Começou assim uma guerra que se prolongaria por quase trinta anos, com resultados desfavoráveis para ambos os lados.
Durante os primeiros anos de guerra, as forças atenienses e espartanas se mantiveram equilibradas, mas a intervenção da Pérsia acabou por favorecer Esparta. A destruição completa do exército e da frota atenienses na Sicília paralisou Atenas. Com o apoio da Pérsia, o excelente estrategista espartano Lisandro conseguiu triunfar na batalha decisiva de Egospótamos, em 405 a.C. Atenas resistiu ao assédio lacedemônio, mas foi obrigada a render-se. Após perder o império mediterrâneo, voltou a contar apenas com seus próprios recursos. Apesar da paz assinada em 404 a.C., o mundo grego, inteiramente dividido, jamais recuperou o esplendor do passado. A Pérsia, verdadeira vencedora do conflito, passou a participar ativamente da política grega, ora em apoio a Esparta, ora a Atenas, ora finalmente atuando como potência mediadora entre as duas cidades-estados.
Depois da guerra do Peloponeso instalou-se a hegemonia lacedemônia e Esparta tentou impor o regime oligárquico em toda a Grécia. Descontente com o acordo de paz e com o predomínio de Esparta, Tebas fez uma aliança com sua antiga inimiga Atenas. Em 379 a.C., dois tebanos, Pelópidas e Epaminondas, organizaram uma conspiração contra a guarnição espartana da Cadméia (cidadela de Tebas), que marcou o começo da decadência de Esparta. Ameaçados pelo avanço tebano, os espartanos assinaram, em 374 a.C., um novo tratado de paz com Atenas: esta reconhecia a supremacia espartana no Peloponeso, e Esparta, em troca, reconhecia a segunda liga marítima ateniense. Esparta, no entanto, quebrou o acordo e interveio contra Atenas mais uma vez no oeste.


Começou nessa época o apogeu da Tessália e de Tebas, que reorganizaram seus exércitos e restauraram a Liga Beócia, o que motivou a reaproximação entre Esparta e Atenas. Na batalha de Leuctras, em 371 a.C., Epaminondas, renovador da tática militar, infligiu à infantaria espartana uma derrota de que ela nunca mais se recuperou. Depois da batalha de Mantinéia (362 a.C.), em que os tebanos, apesar de terem vencido os atenienses e espartanos, perderam Epaminondas, assinou-se uma paz pela qual nenhum estado conseguiu impor seu domínio. O equilíbrio alcançado após Mantinéia se apoiava unicamente na exaustão a que tinham chegado igualmente todos os estados gregos. Com o desmoronamento definitivo dos sonhos e ambições hegemônicas de Atenas, Esparta e Tebas, a Grécia ficou à mercê de um país do norte: a Macedônia.
Hegemonia macedônica e decadência. A dissolução da liga ateniense ocorreu ao mesmo tempo em que a Macedônia começava a ascender, liderada por Filipe II. Depois de unificar o reino, Filipe II iniciou uma política de expansão cujo primeiro objetivo foi proporcionar ao país uma saída para o mar. As cidades que resistiram foram destruídas. A conquista das minas de ouro do monte Pangeu forneceu os recursos necessários para fazer da Macedônia uma potência.
O exército macedônico foi reorganizado por Filipe, que o dotou da famosa falange e de equipamentos de guerra. Atenas não se opôs ao avanço macedônico. Só mais tarde o orador Demóstenes concitou os cidadãos atenienses a resistirem a Filipe, mas, juntamente com os tebanos, os atenienses foram derrotados na decisiva batalha de Queronéia, em 338 a.C. Filipe uniu todas as cidades gregas, com exceção de Esparta, e assumiu pessoalmente o comando da confederação, o que na prática significou submeter a Grécia à Macedônia.
Filipe foi assassinado em 336 a.C., quando se preparava para realizar a conquista da Pérsia. Seu filho e herdeiro, Alexandre o Grande, que tinha então vinte anos, transformou em realidade esse ambicioso projeto. Toda a sociedade grega sofria então as conseqüências de suas próprias guerras civis e dos confrontos com a Macedônia. O campo ficou devastado e os pequenos proprietários rurais tenderam a desaparecer. Os mercenários se converteram num mal inevitável que assolou o campo e as cidades. As contínuas guerras provocaram a estagnação econômica, enquanto as classes menos favorecidas esperavam a assistência do estado. Entre os intelectuais do período, como Platão, Isócrates e Xenofonte, começou a ganhar forma a idéia da unificação grega sob a liderança de um dirigente carismático.
Alexandre o Grande se propôs unificar sob seu poder todo o mundo civilizado. Entretanto, antes de iniciar suas campanhas contra a Pérsia precisava assegurar o domínio sobre as cidades gregas. Primeiramente, conseguiu que a Liga de Corinto o nomeasse comandante supremo dos gregos. Depois de submeter, em 335 a.C., os trácios e ilírios, que se haviam sublevado, voltou-se contra Tebas, que também se rebelara e destruiu a cidade, matando ou escravizando todos os seus habitantes. A Grécia comprovou a impossibilidade de opor-se a Alexandre, que pôde então empreender suas conquistas na Ásia. Depois de confiar a Antípatro a regência da Macedônia e o governo da Grécia, cruzou o Helesponto.
Em 334 a.C., Alexandre atravessou a Ásia, desafiou Dario III e chegou à Índia. Suas conquistas e seu projeto de construir uma ponte entre o oriente bárbaro e a civilização grega constituíram a origem da chamada civilização helenística, que se desenvolveu em grande parte da Ásia (Pérsia, Síria e Índia) e no Egito. Assim, depois que a Grécia perdeu o poder e a independência política, sua língua e sua cultura se tornaram universais.
Alexandre concebeu o plano de um império que resultaria da união de gregos e persas, mas morreu de febre na Babilônia, em 323 a.C. Liderados por Atenas, os gregos se revoltaram nesse ano contra a Macedônia na chamada guerra lamiana, mas tiveram de capitular depois da derrota de Amorgos e a Liga de Corinto foi dissolvida. O problema da sucessão de Alexandre arrastou o país a novas guerras. Por fim, impuseram-se os antigônidas na Macedônia, a monarquia selêucida no Oriente e a ptolomaica no Egito. Com isso, o império dividiu-se definitivamente, embora os anseios de liberdade dos gregos os levassem ainda a novas guerras e coligações, de êxito esporádico, até a intervenção final e a ocupação do território pelos romanos.
Domínio romano. As primeiras relações dos romanos com as cidades gregas haviam sido amistosas. Todavia, quando em 215 a.C. Filipe V da Macedônia aliou-se ao cartaginês Aníbal, Roma resolveu intervir militarmente e obteve a vitória contra os macedônios em Cinoscéfalas, no ano 197 a.C. Seguindo uma política de prudência, Roma respeitou o reino macedônio e devolveu a autonomia às cidades gregas. A partir de 146 a.C., porém, a Grécia ficou submetida definitivamente ao domínio da república romana, embora tenha continuado a manter a primazia espiritual sobre o mundo antigo.

v

a

INDIQUE ESTE SITE !

 

Voltar

 

mensageirosdoceu.net - 2004 - 2016 - Todos os Direitos Reservados.