Foi a chegada dos hititas, em torno do ano 2000 a.C., que deu unidade política à região da Anatólia. Até então, as populações que ali habitavam desde o neolítico haviam alcançado notável desenvolvimento cultural, mas mantinham-se independentes. Os hititas foram um dos vários grupos indo-europeus que atingiram a Anatólia a partir do terceiro milênio a.C. Os hititas souberam assimilar as culturas autóctones da Anatólia para criar um estado poderoso, que resultou da extinção ou subordinação de comunidades isoladas, e uma notável civilização. A integração dos pequenos povos da região em um poderoso estado ocorreu ao tempo do rei Labarna. Seu filho Hattusilis I reconstruiu a antiga cidade de Hattusa (posteriormente Bogazköy, na Turquia) e dali organizou incursões para o sudeste, chegando até o Eufrates, com intenção de apoderar-se do norte da Síria. Seu herdeiro e continuador, Mursilis I, chegou até a Babilônia, onde derrotou a dinastia amorrita em 1590 a.C. Com a morte de Mursilis I, ocorreram lutas dinásticas, das quais saiu vencedor Telipinus I, que mobilizou o exército hitita para defender suas possessões na Anatólia dos ataques de povos vizinhos. No princípio, os hititas não participaram das lutas entre Egípcios e hurritas na Síria; mais tarde intervieram contra os egípcios, de quem arrebataram Alepo. No entanto, os hurritas logo depois ocuparam a cidade e uniram-se aos egípcios. O império hitita perdeu o controle da Síria e entrou em processo de decadência, agravado por invasões dos hurritas e de outros povos, como os kaska, do norte. A capital, Hattusa, foi incendiada durante um ataque. Entre 1380 e 1346 a.C., Suppiluliumas conseguiu reconquistar e repovoar a Anatólia e empreendeu a conquista da Síria. Esse foi o reinado em que a civilização hitita alcançou o ponto culminante.

O novo império demonstrou a superioridade de seu exército frente aos egípcios e hurritas. Durante o reinado de Muwatallis, entre 1320 e 1294 a. C., ressurgiu a luta pela conquista da Síria e houve um grande choque entre hititas e egípcios na batalha de Kadesh. Mesmo com a área sob domínio hitita, o faraó Ramsés II proclamou-se vitorioso; a batalha foi representada no famoso relevo do templo egípcio de Karnak. Com Hattusilis III (1275-1250 a.C.), houve um período de estabilização, no qual empreenderam-se grandes construções em Hattusa e restabeleceu-se a amizade com o Egito. Pouco depois do ano 1200 a.C., o império hitita desfez-se, provavelmente devido a incursões dos chamados "povos do mar" e dos frígios no interior. Algumas zonas da Cilícia e Síria mantiveram a identidade hitita e organizaram-se em pequenos principados independentes que, pouco a pouco, foram incorporados pelos assírios. A história dos hititas foi reconstituída pelos arqueólogos a partir do século XIX, quando Archibald Henry Sayce começou a investigar a existência dos hittiim, a que o Antigo Testamento se refere como habitantes da zona palestina antes dos israelitas. A documentação escrita revelou a história desse povo, mas os períodos mais antigos, anteriores à escrita, permaneceram desconhecidos até achados arqueológicos mais completos. Os documentos hititas, gravados em tábulas e esculturas, demonstraram que a região da Anatólia teve uma notável organização política e social. A principal forma de escrita, de origem Mesopotâmica, era a cuneiforme, embora no norte da Síria também se empregasse um tipo de hieróglifo. A língua hitita era indo-européia, ainda que com raízes de outros ramos lingüísticos. Desde os tempos mais remotos, os chefes de estado adotavam o título de reis com caráter hereditário. O monarca era legislador, chefe do exército e juiz supremo. A assembléia de nobres, pankus, a cuja jurisdição estava submetido o monarca, foi criação de Telipinus, e sua função era a de um tribunal especial, que regulava a sucessão ao trono. O estado era do tipo feudal, sendo os familiares do rei os príncipes das cidades e estados vassalos. Em um nível inferior estavam os sacerdotes e os funcionários civis e militares e, abaixo desses, os artesãos e comerciantes das cidades. Nas zonas rurais encontravam-se os agricultores e os pastores, esses últimos habitualmente nômades. Os deportados, reféns de guerra e escravos chegaram a formar um contingente considerável na sociedade hitita. Os colonos povoavam as zonas rurais e recebiam do governo sementes e animais para trabalhar a terra. A administração das aldeias estava a cargo dos anciãos ou notáveis.

O exército era numeroso e constava de unidades de infantaria e de carros ligeiros. Hábeis na arte da cavalaria - sobre a qual escreveram um tratado - os hititas alcançaram grande perfeição no manejo de carros dotados de arqueiros, com que atacavam de surpresa seus inimigos e deslocavam-se silenciosamente à noite. Consideravam a guerra como uma decisão divina, se bem que não deixassem de mostrar grande interesse pela justiça e acordos internacionais, como testemunham os numerosos textos legais encontrados. Os hititas respeitaram e toleraram as formas religiosas dos povos autóctones e chegaram a integrar em seu panteão inúmeros deuses de outras procedências. Os mais importantes eram a deusa solar e o deus da tempestade. O rei era também sumo sacerdote, considerado intermediário entre as divindades e os homens. Diversos documentos descrevem as preces e os rituais nos grandes festivais religiosos. A arte hitita que sobreviveu está ligada geralmente ao culto religioso. Não foram encontrados restos anteriores a 1.400 a.C. Exceção feita para a arquitetura, de tipo ciclópica, da qual existem restos nas tumbas de Alaca Hüyük, bem como nas muralhas e na acrópole de Hattusa, a arte é especialmente abundante em esculturas. Nela manifesta-se a influência de egípcios e babilônios, povos mais avançados. No período do novo império, a escultura destacou-se por apresentar maior originalidade, ainda que conservando a rusticidade do estilo; maior volume e naturalismo aparecem em relevos de um deus da Porta do Rei, em Hattusa. Da Síria os hititas copiaram as esculturas monumentais de animais, como leões e esfinges, protetores das portas das cidades. Alcançaram alto nível artesanal na cerâmica e no trabalho de metais preciosos, assim como na carpintaria.

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