Segundo Heródoto e outros historiadores gregos da antiguidade, o nome Pérsia deriva de Perseu, antepassado mitológico dos soberanos daquela região. A civilização persa conheceu grande esplendor com a dinastia aquemênida, que manteve longa disputa com as cidades gregas pela hegemonia na Anatólia e no Mediterrâneo oriental.
O território central da civilização persa foi o planalto do Irã, entre o mar Cáspio e o golfo Pérsico, um dos grandes focos de civilização do rio Indo e da Mesopotâmia. Desde tempos ancestrais, sucessivos grupos étnicos estabeleceram-se na região. Ao longo do terceiro e do segundo milênios anteriores à era cristã foram formados os reinos dos guti, dos cassitas e dos elamitas, entre outros. No segundo milênio surgiram também as primeiras tribos indo-européias, provavelmente originárias das planícies do sul da Rússia, e no início do primeiro milênio ocorreu a segunda chegada de povos indo-europeus procedentes da Transoxiana e do Cáucaso, entre os quais estavam os medos e os persas. Os dois grupos são mencionados pela primeira vez em inscrições da época do rei assírio Salmanasar III, por volta do ano 835 a.C.
Entre os séculos IX e VII a.C. ocorreu o estabelecimento, em solo iraniano, de povos citas chegados através do Cáucaso. Acredita-se que os citas já tivessem se diluído entre os povos árias quando surgiu a figura de Ciaxares, que levou os medos ao auge de seu poderio. Rei dos medos entre 625 e 585 a.C., Ciaxares reorganizou o exército -- com a adoção de unidades de arqueiros montados -- e, depois de unir suas forças às da Babilônia, enfrentou o poder hegemônico da região, o da Assíria, cuja capital, Nínive, foi destruída em 612. Medos e babilônios dividiram entre si o império assírio. Astíages, que reinou de 585 a 550 a.C., herdou do pai um extenso domínio, que compreendia a planície do Irã e grande parte da Anatólia.
Dinastia aquemênida. O rei persa Ciro o Grande, da dinastia aquemênida, rebelou-se contra a hegemonia do império medo e em 550 a.C. derrotou Astíages, apoderou-se de todo o país e em seguida empreendeu a expansão de seus domínios. A parte ocidental da Anatólia era ocupada pelo reino da Lídia, ao qual estavam submetidas as colônias gregas da costa da Anatólia. Uma hábil campanha do soberano persa, que enganou o rei lídio Creso com uma falsa operação de retirada, teve como resultado sua captura, em 546 a.C. A ocupação da Lídia se completou mais tarde com a tomada das cidades gregas, as quais, à exceção de Mileto, resistiram durante vários anos.
A ambição de Ciro voltou-se então para a conquista da Babilônia, a poderosa cidade que dominava a Mesopotâmia. Ciro tirou proveito da impopularidade do rei babilônio Nabonido e apresentou-se como eleito pelos deuses da cidade para reger seu destino, e, apoiado pela casta sacerdotal, dominou-a facilmente em 539 a.C.
Sucedeu a Ciro o Grande seu filho Cambises II, que em seu reinado, de 529 a 522 a.C., empreendeu a conquista do Egito, então governado pelo faraó Ahmés II, da XXVI dinastia. Ahmés tentou defender suas fronteiras com a ajuda de mercenários gregos, mas, traído por estes, abriu as portas do Egito a Cambises, que cruzou o Sinai e destroçou o exército de Psamético III, sucessor de Ahmés, na batalha de Pelusa. A capital egípcia, Mênfis, caiu em poder dos persas e o faraó foi aprisionado e deportado. Do Egito, Cambises tentou levar a cabo a conquista de Cartago, o poderoso império comercial do Mediterrâneo ocidental, mas a frota fenícia negou-se a colaborar com a campanha, o que a inviabilizou. Ao retornar de uma vitoriosa expedição à Núbia, o exército persa foi dizimado pela fome. Enquanto isso, um impostor, fazendo-se passar por irmão de Cambises, apoderou-se da parte oriental do império. Cambises morreu quando descia o Nilo com o resto de suas tropas.


Dario I o Grande. Dario I reinou entre 522 e 486 a.C. Um conselho de nobres persas decidiu reconhecer como herdeiro de Cambises um príncipe da casa real, Dario, que se distinguira como general dos exércitos imperiais por mais de um ano. Os esforços para consolidar-se no trono ocuparam o novo "rei dos reis", que soube manejar habilmente o castigo e o perdão, até que as forças inimigas foram dizimadas em todo o império. Tão logo se livrou de seus adversários, Dario prosseguiu com a política de expansão e incorporou a seus domínios grandes territórios do noroeste do subcontinente indiano (mais tarde o Paquistão). Depois, as tropas persas tentaram, com pouco êxito, estabelecer o controle das terras litorâneas do mar Negro, para opor obstáculo ao comércio grego. Em 500 a.C., as colônias helênicas da Anatólia se rebelaram contra a autoridade imperial, apoiadas por Atenas. A reação tardou vários anos, mas depois da derrota da frota grega em Mileto, o exército persa recuperou todas as cidades rebeldes. Quando, no entanto, o imperador persa tentou tomar as cidades da Grécia européia, sofreu a derrota de Maratona, em setembro de 490 a.C. Dario começou a recrutar um enorme exército para dominar a Grécia, mas morreu em 486, ao tempo em que a rebelião do Egito proporcionava um repouso aos helênicos.
As principais atividades de Dario o Grande à frente do império persa foram as de organização e legislação. Dividiu o império em satrapias (províncias), a cada uma das quais fixou um tributo anual. Para desenvolver o comércio, unificou a moeda e os sistemas de medidas, construiu estradas e explorou novas rotas marítimas. Respeitou as religiões locais e parece ter, ele mesmo, introduzido o zoroastrismo como religião estatal. Deslocou a capital para Susa e construiu um palácio em Persépolis.
O exército persa, antes formado mediante recrutamento em tempo de guerra, foi reorganizado por Ciro e depois por Dario, que criaram um exército profissional e permanente, só reforçado por recrutamento geral em caso de guerra. A elite do exército profissional era constituída pelos "dez mil imortais", guerreiros persas ou medos, dos quais mil integravam a guarda pessoal do imperador.
Xerxes I. Imperador entre 485 e 465 a.C., Xerxes, filho de Dario, reprimiu duramente a revolta que abalou o Egito no momento em que subiu ao trono, e abandonou a atitude respeitosa de seu pai frente aos costumes das províncias. Nova revolta, na Babilônia, foi dominada em 482 a.C. Conseguida a pacificação do império, o exército de Xerxes invadiu a Grécia dois anos mais tarde. Depois de vencerem a resistência grega nas Termópilas, os persas tomaram e incendiaram Atenas, mas foram derrotados na batalha naval de Salamina. A derrota de Platéias, em 479 a.C., conduziu ao abandono da Grécia pelas tropas persas. O próprio imperador perdeu o interesse por novas conquistas e dedicou-se à vida palaciana nas capitais do império até 465 a.C., quando foi assassinado.
Sucessores de Xerxes I. Artaxerxes I, imperador de 465 a 425 a.C., teve que enfrentar uma nova rebelião no Egito, que levou cinco anos para ser dominada. Depois do breve reinado de Xerxes II, que governou de 425 a 424 a.C., subiu ao poder Dario II, ocasião em que os governadores da Anatólia souberam aproveitar habilmente a rivalidade entre Esparta e Atenas. Nas guerras do Peloponeso, inicialmente a Pérsia ajudou Atenas, mas depois da desastrosa campanha ateniense contra a Sicília, o império aquemênida contribuiu para o triunfo final de Esparta.
Artaxerxes II reinou de 404 a 359 a.C. e manteve a política de dividir as cidades gregas. Uma revolta levou à independência do Egito, e o império começou a se debilitar. No ano 401 a.C., pela primeira vez uma força militar grega internou-se até o centro do império persa. Dez mil mercenários, sob o comando de Xenofonte, deram apoio a Ciro o Jovem, que se rebelara contra Artaxerxes II. Depois da derrota de Cunaxa, tiveram que empreender uma longa retirada, narrada por Xenofonte em Anábasis, até voltarem a sua pátria.
Durante seu reinado, de 359 a 338 a.C., Artaxerxes III conseguiu reconquistar o Egito, o que levou o faraó a fugir para a Núbia. Enquanto isso, uma nova potência, a Macedônia, surgia nas fronteiras ocidentais do império. Seu rei, Filipe II, depois de derrotar os gregos em Queronéia, em 339 a.C., conseguiu manter toda a Grécia sob sua hegemonia.
Concluído o curto reinado de Arses (de 338 a 336), subiu ao poder o último rei aquemênida, Dario III (336 a 330). A batalha de Granico, em maio de 334, pôs o império persa em mãos do filho de Filipe, Alexandre o Grande. Dario III foi assassinado pouco depois de fugir de Persépolis.
Significado histórico do império aquemênida. A formação e o desenvolvimento do império aquemênida significaram a criação de um vasto espaço político no mundo, no qual reinou uma tolerância até então desconhecida. Os impérios anteriores -- o egípcio, o babilônio, o assírio -- tinham uma visão política muito mais localista. O império aquemênida foi precursor, em certa medida, dos sonhos universalistas de Alexandre e de Roma. Graças a sua tolerância teve lugar nele, e a partir dele, uma fermentação filosófica, científica, econômica e religiosa de vastas conseqüências no mundo antigo.
O império aquemênida esteve na origem das nações mais antigas do mundo. A lembrança do esplendor de Ciro e de Dario manteve-se presente ao longo da história dos governantes do Irã. Isso ficou demonstrado durante a comemoração solene, nas ruínas de Persépolis, antiga capital persa, dos 2.500 anos da monarquia persa, celebrada em 1971 pelo xá Mohamed Reza Pahlevi.


Reino selêucida. Depois da morte de Alexandre, ocorrida na Babilônia em 323 a.C., o enorme império por ele conquistado foi dividido entre seus generais. Seleuco I subiu ao poder na Síria, na Pérsia, na Mesopotâmia e no noroeste do subcontinente indiano, mas a dinastia selêucida, por ele fundada, não conseguiu manter um controle eficaz sobre tão vasta área, que ficou reduzida com a separação da região do Indo. Em 247 a.C., a província de Pártia tornou-se independente, e o soberano Ársaces fundou uma dinastia que com o tempo haveria de reinar sobre a Pérsia.
O mais destacado dos imperadores selêucidas foi Antíoco III o Grande, que reinou de 223 a 187 a.C. e estendeu os limites do império a leste e a oeste. Em sua expansão para a Anatólia, ele entrou em conflito com Roma. Depois da derrota sofrida em Magnésia frente aos romanos, em 190 a.C., o império selêucida, pressionado em sua parte ocidental por Roma e na oriental pelo reino dos partas, foi progressivamente se decompondo.
Império arsácida. O estado parto, fundado por Ársaces I, procurou, desde seu início, restabelecer a tradição aquemênida. Mitrídates I, que governou entre 171 e 138 a.C., engrandeceu o reino parta à custa dos selêucidas, aos quais arrebatou os territórios do Irã e da Babilônia. A partir de 140, os soberanos arsácidas adotaram o título de rei dos reis, que tinha sido empregado pelos imperadores aquemênidas. O domínio parta estendeu-se das margens do Eufrates às do Indo.
Roma, que pretendia reconstruir o mítico império de Alexandre o Grande tentou várias vezes subjugar o império arsácida. Finalmente, o imperador romano Augusto concluiu, no ano 20 a.C., um tratado de paz com o arsácida Fraates IV, que fixava o rio Eufrates como fronteira entre os dois impérios. A paz durou pouco mais de um século, durante o qual o comércio de caravanas, que unia China e Índia a Roma, através da Pérsia, registrou extraordinário desenvolvimento.
Império sassânida. Ardashir I, que se dizia descendente dos grandes imperadores aquemênidas, esteve à frente de um pequeno reino iraniano entre os anos 224 e 241 da era cristã e ampliou seus domínios até apoderar-se do império parta. Foi com Ardashir que teve início a dinastia sassânida, que dominou um novo império persa até o ano 636, quando os árabes o derrubaram em campanha tão violenta quanto a empreendida pelas tropas de Alexandre contra o império aquemênida.
Interessados em restaurar o esplendor aquemênida, os sassânidas tinham adotado o zoroastrismo como religião de estado, mas ao contrário do que ocorrera durante o primeiro império persa, a intolerância religiosa foi muito grande. Shapur I, que reinou entre 241 e 272, estendeu seu império do Cáucaso até o Indo. Khosrau II, rei entre 591 e 628, chegou a apoderar-se, por algum tempo, da Síria, da Palestina e do Egito.
Um novo império e uma nova religião surgiram na Arábia na terceira década do século VII: o Islã. Senhores da Síria, os exércitos islâmicos invadiram a Mesopotâmia, derrotaram os persas no ano 637 e se apoderaram da capital imperial, Ctesifonte. O último soberano sassânida, Yezdegerd III, foi derrotado definitivamente no ano 641 e morreu assassinado no exílio dez anos mais tarde, ao tempo em que os invasores se apoderavam do planalto iraniano.

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