Certamente todos que ouvirem minha narrativa vão me censurar, me acusar.


Não sem que eu me justifique.


Já não tinha nada a perder, pois já tinha perdido tudo, até minha dignidade. Nenhum homem suporta o peso de uma censura, de uma acusação.

Apesar de ninguém dizer uma palavra sequer, minha consciência me acusava. Eu não pude resistir. Pensei em desertar, pensei em sumir, mas não ia adiantar, pois iam me encontrar.


O céu para mim não era mais azul como na minha adolescência, nem os dias claros de minha infância.


Tudo parecia nublado em minha mente, não havia solução. E então resolvi desfechar o golpe derradeiro: "acabar comigo mesmo, me matar".


E eu o fiz com uma frieza e uma decisão tão firme, que hoje eu não sei como tive coragem.


Eu não suportava a ideia de matar um animal sequer, nem que fosse para matar a fome. Mas me matei.


Vivia muito calado e acabrunhado. Aquela ideia não saia da minha mente, e mesmo depois de morto queria acabar comigo, mas não acabava.

Porque na realidade eu me matei, mas me sentia vivo. Tinha ódio de mim mesmo. Porque viver? Mas vivia.

Era um sofrimento atroz porque os ferimentos doíam, e como doíam. Sangravam e sangravam.

Minha cabeça era como um trovão, e um relâmpago passava em minha visão.


O que fiz meu Deus? Eu não sabia mais de nada... Será que fiquei doido? Hoje sei que sim, pois em sã consciência jamais alguém faria o que fiz.

Mas acontece que me sentia realmente vivo e sofria porque eu não morrera.


Vaquei, andei, gritei, tampei os ouvidos, mas não conseguia estancar o sangue que saia da minha cabeça.


Venham me ajudar! Gritei um dia, depois de muito sofrimento.


E uma pessoa, simples, na capa de um mendigo se aproximou e com a beira de sua veste rasgada me enrolou e me carregou. Me levou à sua choupana e disse:


"Vou te ajudar, porque você fez essa ação inconsequente levado por irmãos ignorantes e desejosos de sua queda.

Você não foi bastante forte para resistir à influência deles. Vou deixar você aqui e pedir socorro a irmãos maiores, porque é a única coisa que posso fazer no momento.

Beba um pouco d'água e durma.".


E dormi. Quanto tempo? Não sei.


Acordei muito depois em um lugar amplo, numa maca sendo conduzido por enfermeiros atenciosos, que já haviam feito um curativo em minha cabeça e me levaram a um hospital,

"hospital público", mas muito limpo, porém onde ficavam pessoas que como eu atentaram contra a vida, mas em vias da recuperação.


Coisas muito tristes, que não quero e não posso narrar. Mas foi lá que encontrei a paz.

Estou assistindo filmes de valorização da vida, que me fazem ir às lágrimas, e que me dão a vontade de voltar atrás para recuperar o tempo que perdi.


Vou ser transportado para outro lugar onde poderei ser útil, mas só quando estiver totalmente recuperado.

José da Silva Filho.

Psicografia recebida em 2018.
Médium: Catarina.



 


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