Triste história a minha. Vim a esse mundo para mendigar.

Mendigar o pão, mendigar o olhar de alguém, mendigar abrigo.


Mendigo que fui, mendigo que sou.


Mendigo eu maldisse a Deus, ao mundo, às pessoas.


Certa feita estava eu à porta de uma igreja mendigando. Aproximou-se de mim uma moça segurando as mãos de uma menina linda.

A menina estendeu os braços para mim, ao que a mãe retrucou: "Filha vamos, é um mendigo, não precisa de nada... ele ganha tudo...".


Eu me assustei! Como ganha tudo? Não ganho nada! Não me dão moedas para me ajudar e sim para se verem livres de mim.

Nunca vi ninguém me olhar com amor e respeito. Só aquela menina.


Passou o tempo e eu envelheci. Fui levado para um albergue publico, e lá vi aqueles olhos daquela menina, agora moça. Era uma enfermeira daquele albergue.


Ela se aproximou de mim e perguntou: O quê o senhor quer de mim? Alguma coisa que eu possa dar? Uma sopa, um copo d'agua?


Eu perguntei àquela enfermeira. De onde conheço seus olhos? Ao que ela me respondeu: Da porta daquela igreja.

Eu não me esqueci do senhor e hoje eu posso lhe dar o que o senhor quiser.


Eu lhe disse: Não quero nada, porque eu já ganhei tudo com sua dedicação.


Daí a alguns dias a morte com seu semblante de zombaria veio me levar.


Eu me assustei e pedi que me trouxessem aquela enfermeira.

Ela veio com seu semblante doce, se aproximou de mim, tomou minhas mãos e quando parei de respirar ela fechou meus olhos.


Os céus se abriram para mim, eu estava feliz e podia descortinar um lugar de muita paz onde eu nunca mais precisei mendigar.

Carlos, ou melhor, Cacaio.


Psicografia recebida em 2018.


Médium: Catarina.



Voltar

 

mensageirosdoceu.net - 2004 - 2009 - mensageirosdoceu.net - 2004 - 2018 - Todos os Direitos Reservados. odTodos os Direitos Reservados.