LÚCIA FERREIRA, desencarnada em maio de 1971, aos 16 anos:

"Querida mamãe, estou aqui pedindo seu perdão e a sua bênção. Mais de um ano passou, mas a minha saudade e o meu sofrimento ainda não passaram. Não chore mais Mãezinha. Sei que a minha ingratidão foi grande demais.

Compreendi tudo, mas era tarde. Creia que amanheci naquela terça-feira, 4 de maio, pensando em descobrir como ia encontrar um presente para o seu carinho no dia das mães. Pensava nas aulas, em minha professora Juverssídia e procurava concentrar-me nos livros para estudar; entretanto, quando vi o veneno, uma força estranha me tomou o pensamento. Avancei para o suicídio quase sem conhecimento, embora muitas vezes não ocultasse o desejo de morrer. Tudo sem motivo, sem base.

A senhora me deu tudo - amor, segurança, tranqüilidade, proteção. Não julgue que me faltasse isso ou aquilo. O que eu sentia era uma tristeza que só aqui no Plano Espiritual vim a entender... O assunto é tão longo e o tempo é tão curto. Se pudesse desejava formar as minhas letras com lágrimas para que a senhora me perdoasse pelo arrependimento que trago.

Não sei, não sei ainda. A princípio, me vi numa nuvem com a garganta em fogo e uma dor que não parecia ter fim. Talvez exagerasse as coisas que eu sentia, talvez guardasse impressões da vida que eu não devia guardar. O que é mais doloroso é que provoquei a morte do corpo, sem razão. Sofrimentos no mundo são problemas de todos. E por isso quando me vi na sombra que me envolvia toda, vozes me perguntavam porque fizera aquilo se eu estava consciente de que a morte não mata ninguém...

Chorei muito, mais do que choro hoje, até que me vi no regaço de uma senhora que me disse ser a vovó Ana. Ela me ensinou a orar de novo, porque a dor não me deixava trabalhar com a memória. Amparou-me e como que me limpou os olhos para que eu enxergasse a luz do dia. Então reconheci que as trevas estavam em mim e não fora de mim.

Fui internada numa escola hospital, onde muitas crianças estão sob a vigilância daquele que nos deu nome a casa de ensino Gerônimo Carlos Prado, e com a bênção dos muitos amigos que encontrei aqui vou melhorando".

Psicografia: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Livro: ENTRE DUAS VIDAS, de 1974

 


Voltar

 

mensageirosdoceu.net - 2004 - 2009 - mensageirosdoceu.net - 2004 - 2016 - Todos os Direitos Reservados. odTodos os Direitos Reservados.