A história que passo a narrar aconteceu comigo.


Sei bem o quanto sofri e espero com este relato abrir os olhos de outros, para que não passem pelo que passei.


Fui viciado. Usava qualquer tipo de droga que aparecesse. Fumava, cheirava, injetava, bebia. Tornei-me um farrapo humano, mais parecendo um animal enlouquecido, sempre em busca de saciar meu vício. Matei e roubei para permanecer drogado.

 

Até que fui morto. Mas não dei a mínima. Tão logo desencarnei, fui “recebido” por uma gangue de espíritos viciados como eu.


Feios, sem luz, mal-cheirosos e... maus. Mas, no princípio, fiquei satisfeito em estar com eles, porque pude manter o meu vício, pegando “carona” com os encarnados.


Saí do submundo da Terra e passei a habitar o submundo espiritual, no mais
sombrio e apavorante dos umbrais.

De lá ou em visita à Terra, mantinha-me entrelaçado com diversos encarnados. Eles fumavam e eu fumava junto. Cheiravam e lá estava eu, absorvendo seus fluídos. Vivia tão grudado a eles que mais aprecia um único ser.

Muitas vezes o infeliz queria largar tudo, mas eu ficava martelando em sua cabeça a necessidade de usar as drogas e o coitado não resistia.

Tornei-me um parasita e fugia dos Benfeitores Iluminados que ora ou outra sondavam-me, tentando em vão auxiliar-me.

Eu e minha gangue expulsávamos tais anjos com insultos e agressões de todos os tipos.

Nem sei quanto tempo vivi vampirizando as pessoas, que acabavam desencarnando e vindo parar também em nosso bando.

Curiosamente, nossa gangue não crescia. Volta e meia, um dos nossos desaparecia misteriosamente e, no fundo, ninguém se importava muito, pois assim teríamos menos vítima para compartilhar.

Até que aconteceu comigo. Incorrigível, afastado de Deus, fui considerado pelos Benfeitores um caso perdido, um espírito endurecido demais para ser tratado nas colônias.

Fui retirado dali contar a minha vontade e colocado em estado de letargia para, tempos depois, vir a reencarnar compulsoriamente.

Devido aos maus tratos que infringi a mim mesmo e que ficaram gravados em meu espírito, tive algumas encarnações interrompidas precocemente devido a debilidade do meu sistema físico. Nestas oportunidades as doenças e o sofrimento me deram o discernimento suficiente para que eu retomasse o rumo da minha própria evolução.

Na encarnação que se sucedeu, e que cumpri até o fim por minha escolha, fui tetraplégico e desencarnei consumido pelo câncer. Foi a maneira que encontrei de agilizar minha purificação e de garantir que não sucumbiria à tentação de drogar-me novamente.

Desencarnado, recuperei-me e hoje trabalho somando esforços ao grupo que me resgatou. E, mesmo depois de tantos percalços ainda preciso de força de vontade para não cair novamente.

Fica aqui a minha contribuição, esperando tocar a consciência daqueles que hoje enveredam pelo submundo das drogas.

Isaías.


Voltar

 

mensageirosdoceu.net - 2004 - 2009 - mensageirosdoceu.net - 2004 - 2016 - Todos os Direitos Reservados. odTodos os Direitos Reservados.