Estar morto não é nada divertido. Pelo menos não da maneira que eu estou.

 

Estava passeando tranqüilamente pela orla da praia, num lindo final de semana, curtindo meu merecido descanso depois de uma semana dura de trabalho.

 

Fui atingido por uma bala perdida, vinda de um tumulto formado ao longe.

 

Não senti nada, apenas um pequeno mal estar, com um pouco de enjôo.

 

Duro foi entender o que havia acontecido. Para mim, continuava a passear. Claro que notei que havia algo diferente.

 

As cores da paisagem, da praia e dos prédios estavam diferentes... e as pessoas também. Além dos banhistas e turista de sempre, comecei a ver também pessoas com estranha aparência. Umas pareciam resplandecer de luz em pleno dia e outras pareciam aqueles azarões dos desenhos animados, com nuvens negras sobre suas cabeças.

 

E ao chegar em casa? Nada de alguém me ver ou ouvir. Foi só no dia seguinte que a polícia bateu lá em casa e informou da minha “morte”.

 

Que loucura!

 

Fiquei por aí, vagando, com raiva de tudo.

 

Por que eu tão jovem? Trabalhava tanto! Estudava tanto! Queria casar, ter filhos...

 

Mas e agora? Quantas vezes precisei fugir e me esconder de bandos de gente esquisita, os tais azarões, que pareciam uns doidos tentando carregar todo mundo com eles.

 

Só ontem é que fui “achado” e me trouxeram para cá. Pelo menos aqui me sinto calmo e confiante, e só vejo pessoas iluminadas.

 

Vou seguir com vocês pois, afinal, não tenho mais para onde ir e quero ver as cidades que vocês me falaram.

 

Quero trabalhar e ser útil.

 

Obrigado pela ajuda. Quem sabe estar morto fique um pouco mais divertido agora.

 

Lucas dos Santos.

Escrita por: Cleber P. Campos

 


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