Este Santo homem, pequeno e frágil, não vivia para si mesmo, mais para aquele que morreu por todos nós. Enchia a terra com o Evangelho de Cristo e em um dia percorria 4 ou 5 povoados anunciando o Reino de Deus, a Salvação, a Penitência e a Oração. Não sabia favorecer a vida dos pecadores e os repreendia pacientemente. Seus maiores milagres sempre foram através da Oração.


São Francisco era como um rio caudaloso de graça celeste que alimentava os corações com sua palavra e exemplo, propunha uma nova forma de vida, o caminho da salvação, o amor a Deus.


Estava sempre preocupado com a construção espiritual de seus filhos, o caminho das virtudes, a pobreza, obediência, a castidade e sobretudo com a renúncia.


São Francisco tinha o rosto alegre, de olhar simples, afeto sincero e com o abraço fraterno colhia os desamparados.


Amava tanto a Deus que lutava constantemente pela salvação das almas, seu amor ao próximo era tão intenso que quando não podia mais andar e quase cego, percorria as terras montado em um jumento para levar a benção do Senhor. Em seu amor a Deus sempre repetia: "Senhor! Minha alma tem sede de Vós e meu corpo mais ainda".


Veio ao mundo com assinalado e luminoso destino, filho de pais abastados, nasceu em Assis velha cidade da Itália, situada na região da Úmbria em 26 de Setembro de 1182 e foi criado no luxo e na vaidade.


Seu pai Pedro Bernardone, rico comerciante de tecidos, sonhava fazê-lo homem de negócios e de fortuna, mas Francisco, de gênio alegre e cavaleiresco pensava mais nas glorias do mundo do que nos negócios.


Em 1202, com 20 anos, foi a guerra entre sua cidade natal e Perusa, ao partir, jurou voltar consagrado cavaleiro. Caiu prisioneiro, ficando um ano na prisão. Comportou-se com serenidade, levantou a moral dos seus companheiros, transmitindo confiança e alegria. É resgatado pelo pai, por estar muito doente.


Permanece um tempo em Assis para sua recuperação. Após uma mensagem em sonhos quis alistar-se novamente, mais ainda debilitado e doente, desiste e aceita os desígnios de Deus.


Primeiro chamado Divino


Refeito da grave doença e em período de transição que mudará sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.


Ao retirar-se sentiu-se vitorioso- e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente. Após este fato sente o chamado de Deus.


Segundo chamado Divino


São Francisco costumava orar numa velha e abandonada capela, São Damião, frente a um crucifixo repetia fervorosamente: "Concedei-me Senhor, que Vos conheça, para poder agir sempre segundo a vossa luz e de acordo à vossa Santíssima vontade".

São Francisco ora ante a imagem do Cristo Crucificado e recebe a missão de restaurar a Igreja. Ora nas ruínas da Igreja de São Damião.

Um dia, pareceu-lhe ouvir claramente: "Francisco, não vês que a minha casa está em ruínas? Restaurá-la para mim!


Pensando tratar-se do velho templo onde se achava, agiu de pronto, contando para a reforma com o dinheiro de seu pai, que tinha em suas mãos.


Ano de 1206.


Comparece ante o Bispo Dom Guido III acusado pelo pai de furto, devolve ao genitor o que lhe pertence, até as roupas e se declara servo de Deus.


Pede ao Bispo sua benção e abandona a cidade em busca dos caminhos do Senhor, o Bispo vê nesse gesto o chamado do Altíssimo e se torna seu protetor pelo resto da vida.


São Francisco renuncia à todos os bens que o prendiam neste mundo, veste-se como eremita e começa a restauração da Capela de São Damião e cuida dos leprosos. Seis anos mais tarde, esta capela será o lar das Damas Pobres de Santa Clara.


Ante o Bispo de Assis e seu pai, devolve o dinheiro a este e se despoja até das roupas, pede a benção do Bispo, dom Guido III

É o começo da sua vida religiosa, sofre e luta da forma mais intensa; ele, que teve de tudo, abraça a pobreza, deve primeiramente vencer-se a si mesmo, para logo pedir esmolas. Ele ora e trabalha incessantemente.


São Francisco dizia: "O trabalho, embora humilde e simples, confere honra e respeito e sempre será um mérito ante Nosso Senhor".


Ano de 1208.

Restaura a igreja de Sta. Maria de Angelis. Esta pequena igreja se conserva dentro da grande Basílica de São Francisco em Assis.

Restaura a Igreja de Sta. Maria de Angelis e São Pietro, persuadido de que sua missão principal era a de restaurar e construir igrejas, zelava ardentemente pelos lugares em que se celebravam os Santos Mistérios.


A torre da igreja de São Pietro, capela que o Santo restaurou, essa torre é moderna, mais esse é o lugar.

Um dia, na missa de São Matias, escuta o Evangelho sobre a missão Apostólica, como Nosso Senhor enviou seus discípulos para pregar o Reino de Deus e a Penitência, fica tão impressionado que decide então seguir a vida de Nosso Senhor, seria pobre como Ele e pregaria o Evangelho, muda suas vestes de eremita e passa a ser um pregador ambulante e descalço, começa o estilo de vida Franciscano.


Desde então foi Apóstolo, não descansou jamais, nenhum instante sequer, pregou a paz e o amor no coração, vivendo sem ódio, egoísmo, inveja ou outros sentimentos mesquinhos, seus discursos sempre foram claros, simples, mas incisivos, que a todos afetavam profundamente.


Ano de 1209.


Recebe os primeiros irmãos: Bernardo de Quintavalle que será mais tarde seu sucessor, homem de grande fortuna que abandona tudo para seguir São Francisco. Pedro Cattani, cônego e conselheiro legal de Assis, homem de esmerada cultura, instrução e dotado de grande inteligência. E o irmão Leão que será sempre e em todas as horas o fiel companheiro.


Ano de 1210.


Com 11 irmãos vai a Roma, levando uma breve Regra (esta se perdeu). O Papa Inocêncio III admirado, ouve a exposição do programa de vida e com regras tão severas, fica indeciso e decide esperar, assim e tudo aprova as regras só verbalmente. Conta-se que dias mais tarde o Papa em sonhos teve a revelação da missão destinada por Deus à Francisco (se diz que este Papa foi enterrado com vestes Franciscanas).


Instala-se com seus irmãos em Rivo-Torto, perto de Assis, num rancho abandonado e próximo de um leprosário, esta mísera residência foi a primeira casa por uns tempos dos irmãos Franciscanos, foi uma vida difícil, sombria e assinalada por duras provas, mais São Francisco só desejava enxugar as lágrimas dos desprezados do mundo, os pobres e os leprosos.


Apesar do espírito de renúncia e sacrifício que deveria existir na vida de seus filhos espirituais São Francisco pregava que um servo de Deus não podia manifestar tristeza, desanimo ou impaciência. Na alegria da vida, o Santo via a fortaleza da alma cristã, a força que devia levar aos desamparados e todos àqueles que sofriam provações. Suas humildes túnicas amarradas por um simples cordão levam até hoje três nós, são seus votos de: Pobreza, Obediência e Castidade.


Irradiam a luz Franciscana para toda a Itália, envia missionários, ao igual que o Cristo, aos pares para pregar o Evangelho, envia também à todo o Continente Europeu. Na Alemanha são maltratados e encarcerados, pois não sabiam falar o idioma e a tudo respondiam "já": exemplo: "vocês são hereges? E eles respondiam "já".


São Francisco orava e trabalhava sem cessar, assistia às viuvas, às crianças famintas, a todos os deserdados, fosse no campo, nas cidades ou nos mosteiros, derramava suas orações para converter os pecadores, proclamava a paz, pregando a salvação e a penitência para remissão dos pecados, resolvia conflitos, desavenças, estabelecendo sempre a harmonia em nome do Senhor.


Compreendia a dor e o sofrimento, pelo amor a Deus, considerava-se um pecador, o mais miserável dos homens, vivia em penitência e jejum, purificando seu corpo e todo seu ser, renunciava às mais mínimas comodidades.


Era severíssimo com ele, como São Paulo, ao qual admirava, mais aos seus filhos espirituais não permitia que fizessem demasiada penitência nem jejum, pedia sempre que imperasse a virtude da moderação, para assim poder melhor servir a Deus.


Ano de 1212.


Ao padres Beneditinos oferecem-lhe a pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, em Porciúncula, pois eram muitos os homens que atraídos pela vida de pureza do Santo, queriam ser acolhidos na Ordem.


Esta seria o berço da ordem Franciscana, os frades renovam solenemente seus votos, o Santo os chama de "Frades Menores" porque sempre serão pobres e humildes. Como nosso Senhor Jesus Cristo desejava que fossem seus apóstolos, fossem puros e livres das coisas deste mundo, ter o coração e a mente dominados pelo desejo de Deus, para trilhar o caminho da bem-aventurada simplicidade.


Trabalhava com suas próprias mãos para alcançar os meios de subsistência, só em último caso pediam ajuda a outros, jamais deveriam possuir bens de qualquer natureza, assim não teriam correntes que os prendessem à terra, não temiam a desaprovação, a caridade os levava até tirar o pão da boca ou a despojar-se de suas míseras vestes para ir em socorro de quem estivesse com fome ou fosse mais pobre do que eles.


No mesmo ano de 1212 funda a segunda Ordem das Pobres Damas, destinada às mulheres que desejassem deixar o mundo, numa dedicação exclusiva à Deus e a nosso Senhor, para uma vida de oração e de santa pobreza. A figura central á Santa Clara de Assis jovem nobre que abandonou tudo para seguir a São Francisco, hoje conhecidas como as Irmãs Clarissas.


Ano de 1213.


O Conde Orlando de Chiusi oferece a São Francisco um monte chamado Alverne, para servir de eremitério, retiro e oração. É aqui que São Francisco recebe os sagrados estigmas.


Ano de 1216.


Obtém do Papa Honorio III, sucessor de Inocêncio III e a pedido do próprio São Francisco a Indulgência para a Igreja de Santa Maria dos Anjos. Ato bastante audacioso do Santo pois a Indulgência só era dada aos peregrinos da Terra Santa e aos Cristãos que iam às Cruzadas. Indulgência é a remissão dos pecados na terra e no céu, por todas as culpas cometidas desde o nascimento.


Desde o Ano de 1217 a 1219.


Levou São Francisco o Evangelho a todos os povos sarracenos e hereges. Efetuam-se grandes missões ao exterior. São Francisco visita o Santuário de San Tiago de Compostella na Espanha. Vá de navio a Marrocos, no Egito atravessa as linhas inimigas e vai ao acampamento do Sultão do Egito Melek el Kamel, temido guerreiro pela sua crueldade e que comandava as forças Muçulmanas nas Cruzadas contra os Cristãos. O Sultão fica surpreso com o audaz visitante, mantém longas conversas com São Francisco e pede para que fique com ele. São Francisco responde: "De bom grado fico se te convertes ao Cristianismo e pedes o mesmo ao teu povo".

No Egito, ante o Sultão Melek-el Kamel, temível guerreiro muçulmano (no tempo das cruzadas), ante o qual São Francisco efetua um milagre.

Em Damieta, São Francisco se encontra com os Cristãos que faziam parte das Cruzadas e que tinham sido derrotados pelos Muçulmanos, ele cuida dos feridos, prega a palavra de Deus, levando a todos conforto espiritual, diz a historia que nessa batalha morreram 6.000 cristãos.


Em Marrocos, 5 de seus missionários são mortos e decapitados, foram os primeiros mártires da família Franciscana e em 1481 são canonizados pelo Papa Sixto IV. Até hoje, os Frades Menores encontram-se em todo o Oriente, trabalhando pela conversão ao Cristianismo.


Desde os primeiros tempos estes Frades Menores tem a custódia do Santo Sepulcro em Jerusalém, obra que causa admiração aos cristãos do mundo inteiro, esta conquista se deve a suas Santas Missões, pelas orações, pelas obras de caridade, porem nunca pela força.


A sua volta do Oriente, por onde passa São Francisco estabelece a paz, converte os incrédulos, opera inúmeros milagres através da oração, cura doentes, inclusive um menino cego de um olho, que mais tarde foi frade. Em todas as cidades lhe prestam homenagem, mas ele se mantém sempre humilde e em penitência, com uma vida cheia de amor, fé e obras. Em Bolonha instala seu primeiro hospital.


Conhece Santo Antônio de Pádua, que era cônego de Santo Agostinho, o qual passa para os irmãos Menores, era um profundo estudioso das Sagradas Escrituras e grande orador. São Francisco por carta pede ao seu querido irmão que ensine Teologia aos frades para que não se extinga o espírito da oração e devoção como mandava a Regra.


Faz amizade também com Domingos de Gusmão, fundador dos Dominicanos. Conta-se que este, arrebatado em êxtase recebeu um rosário das mãos da Santíssima Virgem, nossa Senhora do Rosário, Ordem dos Pregadores, hoje Dominicanos.


Por ocasião do Concílio de Latrão em 1215 encontram-se em Roma, Francisco e Domingos. Dizem que ao sair de uma igreja Domingos viu São Francisco de Assis, reconhecendo de imediato o homem predestinado por Deus para a restauração da Igreja Universal. Sentiram-se atraídos um pelo outro e uma santa amizade uniu aquelas duas almas, que tanto bem deveriam fazer para a humanidade.


Os dois receberam do Papa Inocêncio III, em Roma, no ano de 1215 a incumbência de um trabalho gigantesco para a gloria de Deus e salvação das almas.


São Francisco sempre foi um grande devoto da Santíssima Virgem Maria, prestou-lhe sempre homenagem. Foram os Franciscanos os promulgadores da devoção da Imaculada Conceição. O dogma foi promulgado em 1854. A virgem Maria representava para São Francisco as portas do céu, ela lhes oferecia o diurno auxílio na senda espiritual.


Apesar de sua vida de árduos trabalhos, São Francisco agradecia sempre a Deus, porque se julgava um homem feliz, pelas graças que recebia. O Pensamento de São Francisco nunca se afastava da luz divina, era uma oração ininterrupta, sempre aperfeiçoando suas virtudes, jamais teve ostentação, as palavras do Evangelho e a vida do nosso Senhor Jesus Cristo estavam sempre presentes. Na sua humildade unia-se cada vez mais a Deus, desejando a confraternização de todos os seres, sem distinção de raça, credo ou cor.


Ele repetia: "Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final.


Homens pobres, ricos e poderosos, rudes ou letrados pediam para seguir-lhe naquela vida.


Ano de 1221.


Funda a Ordem Terceira, ainda como instrumento de concórdia e de bem estar social. À Ordem primeira dos Frades Menores incumbia o apostolado de seguir os passos do nosso Senhor Jesus Cristo e de exemplo de obediência para a Igreja; á Ordem Segunda das Pobres Damas o sacrifício, a oração e o amor a Deus no Claustro e à Ordem Terceira a nobre missão de reavivar nas consciências a honestidade dos costumes e os sentimentos Cristãos de paz e caridade, destinada a homens e mulheres que sem deserção da própria família e sem renunciar as suas propriedades, pudessem levar a todos os sentimentos Cristãos e a estes os chamou de Irmãos da Penitência, conhecida hoje como Ordem Terceira Franciscana e seus membros tentam alcançar a perfeição Cristã.


Nesse mesmo ano é aprovada a terceira Regra, chamada de Regra Bulada (aprovada) que impera até hoje, o texto original conserva-se como relíquia no Sacro Colégio de Assis, outra cópia, com a aprovação Papal se encontra no Vaticano.


Ano de 1224.


O Frei Elias fica sabendo em sonhos que São Francisco só terá mais dos anos de vida. Neste mesmo ano o Santo de Assis nomeia o próprio Frei Elias vigário, para suceder o Frei Pedro Cattani, falecido há pouco.


São Francisco inspirado por Deus junto com o Irmão Leão, seu fiel companheiro e confessor e outros freis retira-se ao Monte Alverne já bastante doente, preparando-se para a quaresma de oração e jejum e a festa de São Miguel Arcanjo, vive em louvor a Deus passando noites e dias inteiros em oração, só um pedaço de pão e água que o irmão Leão lhe levava.


O Santo de Assis aceitou os percalços e as vicissitudes da vida terrena, numa demonstração de coragem e de fé inabalável, sempre aceitou tudo colocando-se dentro da virtude da humildade, e de todas as graças dadas pelo Espírito Santo, nenhuma é mais preciosa do que a da renúncia. O maior dom de Deus é o da vitória sobre o amor próprio. É feliz todo aquele que suporta todos os sofrimentos por amor a Deus.


Em toda sua vida religiosa espalhou o amor universal, a caridade, a paz e a humildade, levando felicidade a muitas almas, quantas vezes no fim da sua vida, doente estigmatizado e quase cego visitava cidades e aldeias pregando as verdades evangélicas, atendia os pobres, os leprosos e necessitados, com seu coração cheio de santas consolações pedindo a paz, jamais dando por terminada sua missão terrena e desejando ainda servir a Deus.


Corrigia com doces palavras, mas sabia ser enérgico quando necessário. Falava aos seus filhos espirituais para que se afastassem do orgulho, vaidade, egoísmo e avareza, que fossem sempre o exemplo da santa pobreza (como ela a chamava), humildade, caridade e trabalho.


Sempre foi simples em tudo, severo consigo mesmo, mas benigno com os outros. Nos ensinamentos do Evangelho encontrava o apoio para aliviar a dor de aquelas almas que em desespero acudiam a ele, e através da sua fervorosa oração operou grandes milagres.


Ele dizia: "Tudo o que faço é Nosso Senhor que me guia". Sua alma pura e cristalina aparecia aureolada de luz e ao igual que o Apóstolo Paulo repetia: "Já não vivo eu, é Cristo que vive em mim".


Suas orações e meditações, constantes e prolongadas por dias e noites eram elevadas ao Ser Divino, que ele tanto amava, eram de adoração, de louvor e de ação de graças, ardentes diálogos para poder servir melhor ao Senhor, outras para pedir pelos pobres, os doentes e desamparados, ou para implorar sem cessar a Deus por seus filhos espirituais, temendo a infidelidade de uns e a deserção de outros. Conta-se que estando ante uma visão divina, dizia humildemente: "Senhor Deus, que será depois da minha morte, da tua pobre família, que por tua benignidade foi entregue a mim pecador? Quem a confortará? Quem a corrigirá? ou Quem rogará por ela?


Prometeu-lhe o Senhor que seus filhos espirituais não desapareceriam da face da terra, até o fim dos tempos, grandes graças do céu receberiam os religiosos da Ordem que permanecessem na prática do bem e na pureza da Regra. Os frades Franciscanos existem há mais de 700 anos!!

O milagre da vertente, São Francisco orando a caminho do monte Alverne (onde São Francisco recebeu os estigmas).

Conta-se que quando ia para o Eremitério, na longa caminhada de Assis ao monte Alverne, o pobre homem, dono do jumento que levava São Francisco lastimava-se dolorosamente: "Estou morrendo de sede, se não beber água vou morrer!". O Santo compadecido e vendo o lugar tão árido, composto só de pedras e cascalho, desceu do jumento e ficou em fervorosa oração, logo disse ao homem: "Corre para trás daquela pedra, ali encontrarás água viva, que neste momento Cristo com sua força, misericórdia e poder fez nascer". Este fato é muito comentado porque nessa região nunca existiu água.


No monte Alverne falou aos irmãos: "Sinto aproximar-me da morte e desejo permanecer solitário, recolher-me com Deus para lamentar meus pecados".


O frei Leão contava que muitas vezes viu São Francisco em êxtase adorando a Deus em visões celestiais. Em uma oportunidade viu que São Francisco falava diante de uma resplandecente chama, outra vez disse que viu o Santo extrair algo de seu peito para oferecer a Deus, o frei Leão perguntou depois a São Francisco o que significava aquilo e ele respondeu: "Meu irmão, naquela chama que viste estava Deus, o qual daquela maneira me falava, como antigamente o fez com Moisés, e entre outras coisas me pediu para lhe oferecer três coisas, e eu Lhe respondi: Senhor meu, Tu sabes bem que só tenho o hábito, o cordão e uma pobre veste e ainda estas três coisas são Tuas, que posso pois Te oferecer Senhor?"


"Então Deus me disse: Procura no teu peito e oferece-me o que encontrares. Levei a mão ao coração e encontrei uma bola de ouro e a ofereci a Deus e assim fiz por três vezes, segundo Deus me ordenara! Imediatamente pude compreender que aquelas três oferendas significavam: a Santa Obediência, a Altíssima pobreza e a Esplêndida Castidade".


Noutra ocasião o próprio São Francisco ainda deslumbrado, contou a frei Leão que viu-se cercado de inúmeros anjos, um deles tocava em delicado violino uma maravilhosa música e que se o anjo continuasse com os acordes da celeste melodia, ele certamente teria deixado a vida terrena, para participar das harmonias eternas.


Na solidão em que desejou ficar o Santo também teve momentos de difíceis provações.


Nos estados contemplativos, eram-lhe revelados por Deus, não somente coisas do presente, mais também do futuro, assim como por exemplo as dúvidas, os secretos desejos e pensamentos dos irmãos. Frei Leão numa hora amarga quando sofria tentações, recebeu uma preciosa benção para qualquer doença do espírito. Uma benção assinada com um simples Thau, que representa o símbolo da cruz, o amor a Cristo, também é o signo dos que são amados por Deus, São Francisco tinha grande veneração por este símbolo e nas suas cartas assinava com ele. Thau é a transformação, o equilíbrio, o trabalho, a conversão interior que o homem deve sofrer para unir-se as coisas superiores.

Benção a Frei Leão:


"O Senhor te abençoe e te proteja. Mostre a Sua face e se compadeça de ti. Volte para ti o Seu rosto e te dê a paz.
Frei Leão, que o Senhor te abençoe".

Thau

São Francisco amava tanto o Cristo crucificado que pediu ardentemente duas graças, que antes de morrer pudesse ele (São Francisco) sentir na alma e no corpo o amor e o sofrimento da paixão e o Santo de Assis alcançou essas duas graças.


Ele pode ver no céu, um Serafim todo resplandecente de luz que se lhe aproximou e recebe os estigmas da Paixão, traspassando-lhe os pés, as mãos e o lado direito, imprimiu-lhe no corpo os sagrados estigmas do Cristo, isto foi em Setembro de 1224.

São Francisco em êxtase, recebe os estigmas, a sua frente o Serafim Alado com o rosto de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ano de 1225.


São Francisco retorna a Sta. Maria dos Anjos, muito doente e quase cego, muitos foram os milagres realizados com seus estigmas, temos o exemplo quando em Rieti, em 1225 uma grave peste devastava os rebanhos, as ovelhas caíam vitimadas por estranho mal, alguém que conhecera São Francisco pediu-lhe a benção e a sua valiosa oração para que Deus fizesse cessar a peste.


O Santo, abençoando, mesmo de longe a região atingida, e mesmo estigmatizado, orou humildemente, e deu-se o milagre, da noite para o dia desapareceu o terrível mal.


A corte papal envia-lhe médico para tratamento, nada resolve, sabendo-se próximo da morte, desde a planície lança uma benção sobre Assis, compõe o Cântico ao Sol e dita seu testamento.

Morte de São Francisco, rodeado de seus Filhos Espirituais e coro de Anjos.

Fez ler o Evangelho e na Última Ceia abençoa seus filhos espirituais presentes e futuros.


Sta. Clara na porta do convento de São Damião, despede-se dos restos mortais de São Francisco.

No dia 3 de Outubro de 1226, morre São Francisco de Assis, cantando o Salmo 141 e foi sepultado na Igreja de São Jorge na cidade de Assis.


Ano de 1228.


A dois anos da sua morte é canonizado pelo próprio Papa Gregório IX, que vai a Assis. Conta-se que o Papa Gregório IX duvidando da chaga do lado de São Francisco, conforme depois contou, apareceu-lhe uma noite São Francisco e erguendo um pouco o braço direito, descobriu a ferida do lado e o Papa viu o sangue com água que saía da referida ferida, toda dúvida foi apagada.


Ano de 1230.


Suas relíquias foram trasladadas para a nova Basílica em construção.


Vista do Altar Mor, onde está o túmulo de São Francisco, em Assis.


Milagres de São Francisco


Suplicando a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, estes milagres foram lidos diante do Papa Gregório IX e anunciados ao povo. Heis aqui alguns deles:


Disse que depois de duríssimas horas em que o Santo viu-se em tentação, achava-se ele em sua pobre cela, numa noite de rigoroso inverno, ao abrigo do vento e da neve, quando ouviu vozes pérfidas e sedutoras, alguém de fina malícia o chamava das trevas da noite. O Santo recebia surpreso, um convite fascinante: "Francisco deixa essas penitências, não maltrates teu corpo ainda jovem, fostes feito para os prazeres, não para renúncia e pobreza".


Aturdido, Francisco sentia-se arrastado, olhou seu corpo jovem e são, mas um raio de luz veio do céu fazendo-o afastar-se do mal, lembrou-se de Jesus Cristo e sem vacilar saiu ao relento enfrentando o frio da noite, exausto e seminu, atirou-se sobre um espinheiro, ferindo-se entre os galhos, espirrando sangue para todos os lados.


Paralítico


No dia em que São Francisco foi sepultado, trouxeram uma menina que fazia mais de um ano que estava com o pescoço monstruosamente dobrado e pregado ao ombro, de forma que só podia olhar de soslaio e para cima, mas ela colocou por algum tempo a cabeça embaixo do caixão em que jazia São Francisco e pelos merecimentos de Deus, endireitou imediatamente o pescoço e ficou com cabeça reposta no devido lugar, a menina muito assustada com a mudança começou a gritar e a correr. Tinha uma cavidade no ombro, no lugar em que a cabeça estivera dobrada devido à prolongada enfermidade.


Cegos


Uma mulher chamada Sibila, que sofria de cegueira havia muitos anos, foi conduzida ao sepulcro do homem de Deus, como uma triste cega. Mas recuperou a primitiva visão e voltou alegre para casa.


Um cidadão de Assis perdera a visão havia 5 anos e tinha sido conhecido de São Francisco durante toda a sua vida. Sempre rezava ao Santo lembrando-lhe a sua familiaridade. Tocando seu sepulcro, ficou livre da doença.


Muitos são os casos de cegos que sararam graças a São Francisco.

Jardim e vista interior do Mosteiro na Basílica de São Francisco, em Assis.

Enfermos libertados da morte


Um menino de Arezzo, chamado Valter, tinha febres constantes e era atormentado por dois tumores. Desenganado pelos médicos, os quais fizeram uma promessa a São Francisco, e assim recobrou a saúde.


Uma mulher que estava de cama à muitos anos, sem poder mexer-se ou se virar, consagrou-se a Deus e a São Francisco, mereceu ficar inteiramente livre da doença.


Na cidade de Fano, havia um hidrópico com os membros horrivelmente inchados. Pelos méritos de São Francisco ficou curado.


Na cidade de Narni, existia uma mulher que tinha uma das mãos ressequida à oito anos e nada podia fazer com ela. Um dia, São Francisco apareceu-lhe numa visão, estendeu-lhe a mão e fez com que tivesse a mesma utilidade que a outra.


Em São Severino, vivia um jovem chamado Acto, que estava atacado de lepra e segundo os médicos era tido como um leproso.


Todos seus membros tinham se entumecido e inchado e a inflamação das veias dava ao conjunto um aspecto repugnante. Não podia andar, passava miseravelmente o tempo todo no leito, causando dor e tristeza a seus pais.


O pai teve a idéia de consagrá-lo a São Francisco e disse ao filho: "Não te queres consagrar a São Francisco, que em toda parte brilha por seus milagres, para que ele te liberte da doença?" e o filho respondeu: "Quero, pai". Levantou-se juntou as mãos e começou a suplicar à misericórdia de São Francisco, como penitência deveria levar todo os anos, durante sua vida, uma vela da sua altura para o Santo. Pouco tempo depois estava curado da lepra.


Na cidade de Fano, um jovem chamado Bonuomo, que era tido por todos os médicos como paralítico e leproso, foi oferecido por seus parentes a São Francisco. Limpo da lepra e livre da paralisia, obteve cura total.


Surdos e mudos


No povoado de Pieve, havia um menino paupérrimo, que era completamente surdo e mudo de nascença. Tinha a língua tão pequena que mal a puderam ver muitos que tentaram. Uma tarde foi a casa de um conterrâneo chamado Marcos e lhe pediu por sinais pousada. O homem recebeu-o com alegria, porque sabia que aquele menino era um serviçal competente, rapaz de boa índole.


Uma noite o homem disse à esposa: "Acho que seria o maior milagre de São Francisco se lhe desse a audição e a fala ao menino". E acrescentou: "Prometo ao Senhor Deus , que se São Francisco se dignar fazer isso por amor dele terei especial afeto com este menino e lhe pagarei todas as despesas por toda sua vida". Foi admirável, pois um outro dia o menino falou: "Vejo São Francisco de pé aí em cima. Veio para me dar a fala" e respondeu Marcos: "Louvaras a Deus e salvaras muitas pessoas". Sua língua cresceu e ficou apta para falar.


Falamos pouca coisa dos milagres de São Francisco, omitindo a maior parte. Deixamos aos que querem seguir seus passos, que busquem a graça de uma nova benção.

Vitral localizado sobre a porta de entrada da grande Basílica, chamada: "A Rosa".

Regra Bulada da Ordem dos Frades Menores


Esta Regra foi aprovada em 1221 pelo Papa Honório III. Outra Regra não Bulada foi aprovada verbalmente pelo Papa Inocêncio III.O original desta Regra com a aprovação e assinatura papal conserva-se atualmente no Sacro Colégio de Assis como preciosa relíquia e outra cópia está no Vaticano.


1.- A Regra e a vida dos Frades Menores:


Observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em Obediência, Pobreza e Castidade. Frei Francisco promete obediência e reverência a Sua Eminência o Papa Honório e a seus sucessores, canonicamente eleitos e a igreja de Roma. E os demais irmãos estarão obrigados a obedecer a Frei Francisco e a seus sucessores.


2 Dos que querem abraçar esta vida e de como devem ser aceitos.


Devem visitar o Ministro, para serem encaminhados sobre a fé e os santos sacramentos., depois devem renunciar a tudo o que possuem e distribuir entre os pobres.


Uma vez aprovados se lhes dará 2 túnicas, uma com capuz e a outra sem, um cordão, calças e caparão. Será um ano de provas.


Não é lícito sair da Ordem, somente com autorização do Papa. Devem prometer obediência. Só em caso de necessidade usar calçados.


Sempre devem ser pobres, nunca julgar a quem se veste com roupas delicadas ou toma alimentos ou bebidas finas, mas antes julgue cada um a si mesmo.


3 Do ofício divino, do jejum e da oração.


Rezar o ofício divino, quem sabe ler pode usar breviário, os que não sabem devem recitar 24 Pais Nossos pelas Matinas, 5 pelas Laudes, 7 pelas: Primas, Terça, Sexta e Noa, 12 pelas Vésperas, 7 pelo Completório e rezem pelos defuntos o Salmo 129 e para o perdão dos pecados por Nosso Senhor Jesus Cristo o Salmo 50 (Misere Mei). Estas orações não devem ser negligenciadas e devem ser realizadas em todas as "Horas".


Obs.: "Hora" é designação para cada uma das sete partes em que se dividem as chamadas Horas Canônicas da Igreja: Matutinas - Laudes - Prima - Terça - Sexta - Noa - Vésperas e Completas.


Sobre o jejum, deve ser praticado desde a festa de Todos os Santos até a Natividade de Nosso Senhor, na Quaresma desde a Epifania, em que Nosso Senhor iniciou seu jejum até a Páscoa, todas as sextas feiras, em outras épocas não são obrigados. Não é sensato quem voluntariamente enfraquece seu corpo, primeiro devem trabalhar no desenvolvimento das virtudes.


4 Que os Irmãos não recebam dinheiro


Só os Ministros recebem doações para ajudar os pobres e os doentes.


5 Do modo de trabalhar


Não aceitar cargos de direção , nem funções que possam causar escândalos. Trabalhem com fidelidade e devoção, de maneira que afugentem o ócio, inimigo da alma e não percam o espírito de oração e piedade.


Em pagamento pelo trabalho recebam o que for necessário ao corpo, para si e seus irmãos, exceto dinheiro de qualquer espécie; façam isto com humildade, como convém à servos de Deus e seguidores da mais santa pobreza.


6 De nada se façam proprietários os irmãos, da mendicância e dos irmãos doentes.


Peçam esmolas com confiança no Senhor, não se devem envergonhar porque o Senhor se fez pobre por nós neste mundo. E, se algum deles cair doente, os outros irmãos o devem servir, como gostariam de ser servidos.


7 Da penitência que se deve impor aos irmãos que pecam.


Os Ministros provinciais, ou sacerdotes imponham a penitência, com caridade e misericórdia, sem encolerizar-se, sem ira.


8 Da eleição do Ministro Geral


Todos os irmãos devem ter sempre um dos irmãos desta Ordem como Ministro e servo desta fraternidade. São então, rigorosamente obrigados a obedecer-lhe.


Todo ano possam os ministros se reunirem com seus irmãos, na festa de São Miguel Arcanjo, no lugar que lhes aprouver, para tratar com eles dos assuntos que se referem a Deus.


9 Dos pregadores


Devem pregar ao povo, com a autorização do Ministro Geral desta fraternidade, e por ele admitido ao oficio da pregação, seus sermões devem ser ponderados e piedosos, sempre se fale dos vícios e das virtudes, o castigo e a glória, com brevidade.


10 Da admoestação e correção dos irmãos


Os irmãos que são Ministros e servos dos demais irmãos visitem e admoestem a seus irmãos e corrijam-nos com humildade e caridade, não lhes ordenando coisa alguma que seja contra sua alma e a nossa Regra.


Os irmãos, porém, que são súditos, lembrem-se de que por amor a Deus, renunciaram à própria vontade. Que os irmãos se preservem de toda soberba, inveja, avareza, vanglória, murmuração e depreciação.


11 Que os irmãos não entrem em mosteiros de freiras


Ordeno severamente a todos os meus irmãos que não tenham familiaridades ou relações suspeitas com mulheres, nem entrem em mosteiros de freiras exceto aquele a quem foi dada licença especial da Santa Sé Apostólica, nem criem laços com homens ou mulheres, para que daí não resultem escândalos entre irmãos.


12 Do castigo aos desonestos


Se algum irmão, por instigação do demônio cometer pecado de impureza, seja privado do hábito da Ordem , que ele já perdeu por sua torpe iniquidade, e, por isso, o deponha definitivamente e seja demitido da Ordem e faça penitência de seus pecados.


13Da confissão dos irmãos e da recepção do corpo e do sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo


Os meus abençoados irmãos, clérigos e leigos, confessem seus pecados aos sacerdotes da nossa Ordem. Se não for possível, confessem-se a outros sacerdotes, prudentes e católicos. Se porém não puderem encontrar um sacerdote, confessem-se a um dos irmãos.


Recebam o corpo e o sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo com grande humildade e respeito.


14 Dos irmãos doentes


Se um dos irmãos cair doente, os outros irmãos não devem abandona-lo, estejam onde estiverem, sem designar um, ou se necessário, mais irmãos para o servirem como gostariam de serem servidos.


Em caso de absoluta necessidade, poderão encarregar uma pessoa de confiança para cuidar-lhe.

Vista parcial da cidade de Assis, em primeiro plano a Igreja de Sta. Clara, ao fundo o Mosteiro e a Basílica de São Francisco.

15 Oração, louvor e ação de graças

Onipotente, altíssimo, santíssimo Deus, pai santo e justo,
Senhor e rei dos céus e da terra.
Por vossa santa vontade e pelo vosso único filho,
criastes no Espírito Santo, todos os seres espirituais e corporais,
fizeste-nos à vossa imagem e semelhança (Gn. 1,26 - 2,15)
e nos colocastes no paraíso e nós caímos por nossa culpa.
Rendemo-vos graças, se por vosso Filho nos criastes,
pelo mesmo verdadeiro e santo amor com que nos amastes (Jo 17,26)
e fizestes nascer, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem,
da gloriosa, beatíssima, santa e sempre Virgem Maria,
e quisestes que nós, cativos fôssemos remidos por sua cruenta morte na cruz.
E damo-vos graças porque o vosso mesmo filho há de voltar na gloria
de sua majestade, para lançar ao fogo eterno os malditos que não quiserem
fazer penitência e não vos reconheçam, e dizer a todos:
Vinde, benditos do meu Pai, tomai posse do reino preparado
para vós desde a criação do mundo (Mt. 25,34).

Orações de louvor a serem recitadas em todas as horas canônicas


Segundo atesta um manuscrito de Assis, São Francisco mandava rezar estes louvores a Deus antes de cada hora canônica, dando aos irmãos o melhor exemplo neste sentido.


Esta forma de rezar, servindo-se de orações compiladas de textos das Sagradas Escrituras e da liturgia, é bem típico de São Francisco. Pela sucessão de idéias e pelo estilo é certamente da autoria do Santo de Assis.


Damos aqui algumas das orações atribuídas à São Francisco:


Oração


Onipotente, santíssimo, altíssimo e soberano Deus,
que sois todo o bem, o sumo bem, a plenitude do bem,
nós vos tributamos todo o louvor, toda a glória,
toda a ação de graças, toda a exaltação, e todo o bem.
Assim seja, Assim seja.
Amém.

Oração à Santa Virgem Maria


Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós,
filha e serva do Altíssimo rei e pai celestial.
Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo,
esposa do Espírito Santo rogai por nós
com São Miguel Arcanjo e todas as virtudes do céu,
e todos os Santos junto à vosso Santíssimo
e dileto Filho, nosso Senhor e Mestre.
Amém.

Oração diante do crucifixo


Segundo o testemunho de alguns antigos manuscritos, São Francisco rezou esta oração no momento em que estava diante do crucifixo de São Damião e recebia o seguinte encargo: "Francisco, vai reconstruir minha casa".

Ó glorioso Deus, altíssimo, iluminai as trevas do meu coração,
Concedei-me uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito.
Dai-me Senhor, o reto sentir, e conhecer, a fim de que possa cumprir
o sagrado encargo que verdade acabais de dar-me.
Amém.
Saudação à Virgem Maria


Esta saudação tão singela deixa entrever a grande veneração de São Francisco pela Virgem Maria, sua Mãe e Senhora, cuja capelinha: "da Porciúncula" (Nossa Senhora dos Anjos) fora o berço da Ordem e se conservou, através dos séculos, foco de piedade Franciscana.

Salve ó Senhora Santa, Rainha Santíssima,
Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo Santíssimo Pai celestial,
que vós consagrou por seu Santíssimo e
dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito.
Em vós residiu e reside toda plenitude da graça e todo o bem.
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó mãe do Senhor!
E salve vós todas, ó santas virtudes derramadas,
pela graça e iluminação do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis
em fiéis servos de Deus!
Amém.

Cântico das Criaturas


Quase moribundo, compôs São Francisco o Cântico das Criaturas. Até o fim da vida queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor à Deus. No Outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião, onde compôs esta bela oração.

Louvado seja Deus na natureza,
Mãe gloriosa e bela da Beleza,
E com todas as suas criaturas;
Pelo irmão Sol, o mais bondoso
E glorioso irmão pelas alturas,
O verdadeiro, o belo, que ilumina
Criando a pura glória - a luz do dia!

Louvado seja pelas irmãs Estrelas,
Pela irmã Lua que derrama o luar,
Belas, claras irmãs silenciosas
E luminosas, suspensas no ar.

Louvado seja pela irmã Nuvem que há de
Dar-nos a fina chuva que consola;
Pelo Céu azul e pela Tempestade;
Pelo irmão Vento, que rebrama e rola.

Louvado seja pela preciosa,
Bondosa água, irmã útil e bela,
Que brota humilde. é casta e se oferece
A todo o que apetece o gosto dela.

Louvado seja pela maravilha
Que rebrilha no Lume, o irmão ardente,
Tão forte, que amanhece a noite escura,
E tão amável, que alumia a gente.

Louvado seja pelos seus amores,
Pela irmão madre Terra e seus primores,
Que nos ampara e oferta seus produtos,
árvores, frutos, ervas, pão e flores.

Louvado seja pelos que passaram
Os tormentos do mundo dolorosos,
E, contentes, sorrindo, perdoaram;
Pela alegria dos que trabalham,
Pela morte serena dos bondosos.

Louvado seja Deus na mãe querida,
A natureza que fez bela e forte:
Louvado seja pela irmã Vida
Louvado seja pela irmã Morte.
Amém.

Cântico do irmão Sol


Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, São Francisco deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a Criação.


A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em Julho de 1226 no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o Bispo e o Prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de Outubro de 1226.

Altíssimo, onipotente e bom Deus, Teus são
o louvor, a glória, a honra e toda benção.

Só a Ti, Altíssimo, são devidos, e homem
algum é digno de te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas.
Especialmente o irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos ilumina.

Ele é belo e radiante,
com grande esplendor
de Ti, Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas meu senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formastes claras,
preciosas e belas.

Louvado sejas meu senhor,
pelo irmão Vento, pelo ar ou neblina,
ou sereno e de todo tempo
pelo qual as Tuas criaturas dais sustento.

Louvado sejas meu senhor,
pela irmã Água,
que é muito útil e humilde
e preciosa e casta.

Louvado sejas meu senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite,
e ele é belo e jucundo
e rigoroso e forte.

Louvado sejas meu senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e nos governa,
e produz frutos diversos,
e coloridas flores e ervas.

Louvado sejas meu senhor,
pelos que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.

Bem aventurados os que sustentam a paz,
que por Ti, Altíssimo serão coroados.

Louvado sejas meu senhor,
pela nossa irmã a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.

Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
conforme à Tua Santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor,
e daí lhes graças
e servi-o com grande humildade.
Amém.
Conclusão


A vida de São Francisco de Assis é repleta de inúmeras virtudes, o calor de seu iluminado espírito, desejando sempre imprimi-lo aos seus queridos filhos, o ardor na busca devotada à Paixão de Jesus Cristo, são gestos que impressionam e são admirados por toda a humanidade.


São Francisco de Assis tudo transformava, através do amor universal, humildade e compaixão. O homem santo não teme perder sua pureza, no meio dos impuros. Do mesmo modo que Cristo mostrou a via vivendo entre os sofredores e entre os humildes, São Francisco se mistura aos doentes, aos desesperados e aos pobres. E é pelo esforço constante em direção à partilha do que lhe é dado com aqueles que não têm nada, que se fortificam suas aspirações e seus méritos, ao mesmo tempo que suas faculdades espirituais.


Amava intensamente a Deus e ao próximo, vivia à luz de uma fé profunda, que compartilhava com os pobres e abandonados. Sua vida era de orações e sacrifícios, para fundir-se com Aquele que tanto amava. Doava-se com franca generosidade, como se estivesse doando-se ao próprio Jesus.


São Francisco era um místico em toda a essência da palavra, pois tinha a total percepção das personalidades divinas, o contato com o plano espiritual era constante e lançava-se sem medo em direção do Pai que lhe dava a vida, em direção ao Filho que lhe dava o processo intelectual através do Verbo e através do Amor, e ia em direção do Espírito Santo que o iluminava constantemente.


São Francisco é um exemplo para a humanidade, seja durante a reflexão, na meditação, na angustia, na dor ou no sofrimento. Nele se encontra o perdão, tal como Jesus o ensinou e a generosidade para atuar na vida.


Que São Francisco continue a ser um exemplo de paz e de serenidade para todos àqueles que procuram a luz e que faça reverberar em seus corações os resplendores da Graça Divina.

 

 

 

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