Um caso de depressão com história de conflito moral.


A paciente A. de 35 anos, veio à nossa procura apresentando um quadro depressivo. Ela tinha perdido o gosto pela vida, deixando de atender seus pacientes (era uma profissional da área da saúde), sentia angustia, boca amarga, perda do apetite, perda do sono, chorava freqüentemente sem motivo aparente.


Na regressão ela se vê em uma história passada:


Vivia com o seu marido, ele a cobria de presentes e jóias, mas ela não o amava. Ela tinha um amante, com o qual se encontrava em sua própria casa quando o seu marido estava ausente.

Seu amante freqüentava sua casa há bastante tempo, muito antes de tornarem-se amantes. Ele era "amigo" do seu marido.


Esta história aparece em varias sessões de regressão, em cada sessão os detalhes são mais completos, ela fornece o nome e a idade das pessoas do passado.


Ao analisar a sua vida atual, encontramos que o seu marido é muito bom com ela, parecendo-se com o marido do passado, este também faz todos os seus gostos, está construindo uma belíssima casa, do jeito que ela quer; ele a colma de presentes e carinho... mas ela não sente amor por ele. Ela perdeu o interesse por tudo.


Depois de uma análise mais detalhada do seu relacionamento familiar, ela nos contou que tinha fantasias amorosas com um amigo do seu marido, ele freqüentava sua casa há mais de cinco anos. Nunca chegou a confessar-lhe essa paixão, que gradualmente foi crescendo mais e mais.

Ao falar disso, de imediato, ela identifica essa pessoa como sendo o seu marido do passado, e identifica o seu marido atual como sendo o amante do passado. Era uma situação triangular invertida.

Ela nos conta que é muito religiosa e jamais se permitiria uma situação amorosa fora do matrimônio. Ao tomar consciência desta situação ela tem uma modificação muito rápida na sua saúde, volta a trabalhar com toda dedicação e tem a sensação que suas fantasias, relacionadas àquela pessoa, desapareceram completamente, passando a vê-lo de forma tranqüila, sem nenhum sentimento, nem de vergonha, nem de culpa, e muito menos de paixão amorosa.


Sua melhora se acentuou reformulando sua visão de mundo de uma forma dramática. Hoje ela está muito bem. A pessoa que freqüentava sua casa, sem explicação afastou-se.


Fazem hoje 5 anos deste fato. Ela continua bem. Seu tratamento requereu 10 sessões de terapia de uma hora e meia, num período de 60 dias.

Como seria possível explicar este resultado?
Sabemos que muitas vezes as depressões tem remissões espontâneas... mas não
sabemos de onde vem os sentimentos confusos da paixão e da culpa.


Poderia o inconsciente construir essas estórias, levado pelo sentimento de culpa surgido na depressão?
Sabemos que toda pessoa depressiva carrega um profundo sentimento de culpa.


Será que a simples alteração química do cérebro é a única responsável por todos esses sentimentos e fantasias? ... ou será que a nossa mente inconsciente trás informações de "experiências", não vivida por nós, e que estariam gravadas em algum lugar da nossa memória profunda, surgindo em estado de alterações química do nosso sistema nervoso?

FONTE DE PESQUISA CEPAL (11) 3835 3389

 

 

 

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