Entre os séculos VIII e IV, os vikings se seguiram aos povos germânicos numa segunda onda de invasões da Europa medieval. Suas incursões se estenderam da América do Norte ao mar Negro.
Os vikings, também chamados normandos (designação preferida na Idade Média e no século XIX, hoje em relativo desuso), fixaram-se na Escandinávia em época mal determinada. Exímios navegadores, iniciaram suas incursões pelo litoral da Europa no século VIII, certamente levados pela superpopulação em seus locais de origem. Houve três grupos bem definidos: os suecos, os noruegueses e os dinamarqueses.
Os suecos iniciaram sua expansão em direção ao leste e navegaram por lagos e rios russos até chegar aos mares Cáspio e Negro, o que lhes permitiu entrar em contato com o império bizantino e com os povos islâmicos da Pérsia. Suas expedições tiveram caráter mais comercial do que guerreiro e foram responsáveis pelo início das atividades econômicas nas bacias dos rios Dnieper e Volga. Da fusão de suecos e eslavos surgiram os primeiros principados russos, entre os quais se destacou, já no século IX, o de Kiev. O comércio dos vikings também provocou, no leste da Europa, o surgimento do ducado da Polônia e do reino da Hungria.

Os noruegueses se expandiram para oeste e ocuparam sucessivamente as ilhas Shetland, Faroe, Órcadas, Hébridas e a Islândia. Também se estabeleceram em diversos pontos da costa irlandesa. O chefe Erik o Vermelho chegou à Groenlândia no século X e seus filhos atingiram o continente americano num local que denominaram Vinland, "terra das vinhas".
Os dinamarqueses foram, ao longo de três séculos, o terror da Europa, sobretudo do reino da França. Aproveitando-se da debilidade dos países da Europa ocidental após a morte de Carlos Magno, realizaram repetidas incursões às zonas litorâneas do mar do Norte, tanto no continente quanto nas ilhas britânicas. Suas embarcações, de pequeno calado, tinham grande mobilidade, e isso lhes permitia seguir sem problemas os cursos dos rios, o que os tornou temidos também no interior. Em meados do século IX, subiram o Sena e saquearam Paris; pelo curso do Garona, chegaram a Toulouse; pelo Guadalquivir, a Sevilha; e pelo Ródano, a Valence.
Para conter os ataques dos vikings, tanto os reis francos quanto os anglo-saxões da Grã-Bretanha se dispuseram a pagar-lhes tributos, o que aumentou a cobiça dos invasores. No ano 911, o rei da França, Carlos III o Simples, cedeu ao chefe viking Hrolf (Rollo) o território situado na foz do Sena. Foi essa a origem do ducado da Normandia. Os novos senhores logo assimilaram a língua e a cultura francesas. Os normandos também dominaram em pouco tempo as táticas de guerra de cavalaria e se adaptaram ao sistema feudal de seus vizinhos. Recém-convertidos ao cristianismo estimularam um renascimento religioso e promoveram em seus domínios a fundação de mosteiros e abadias. Nas construções, adotaram uma variação do estilo românico que foi denominado normando.


Da Normandia, partiu em 1066 a expedição de Guilherme o Conquistador, que tomaria toda a Inglaterra. Algumas décadas antes, cavaleiros normandos foram empregados como mercenários pela nobreza do sul da Itália, em luta contra árabes e bizantinos. Na segunda metade do século XI, Roberto Guiscardo conseguiu apoderar-se das regiões da Calábria e Apulia e seu irmão Rogério I conquistou a Sicília. Os territórios foram unificados por Rogério II, que conquistou Amalfi, Nápoles e Gaeta.
Em conjunto, as incursões dos vikings contribuíram para aumentar a insegurança e o despovoamento na Europa e provocaram a destruição de um grande patrimônio cultural. No entanto, estimularam a circulação de pessoas, mercadorias e dinheiro, quase nula na alta Idade Média.

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